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Dr. Rodolfo Casimiro

Dr. Rodolfo Casimiro

Dificuldade para caminhar, perda progressiva de memória e episódios de incontinência urinária em uma pessoa idosa podem ser interpretados, inicialmente, como consequências do envelhecimento ou até como sinais de doenças como Alzheimer e Parkinson.

Mas existe outra condição que precisa ser considerada: a Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN).

A HPN é uma síndrome neurológica caracterizada pelo aumento dos ventrículos cerebrais associado, principalmente, a alterações da marcha, comprometimento cognitivo e disfunção urinária. Uma de suas características é que a dor de cabeça intensa, comum em outras formas de hipertensão intracraniana, geralmente não é uma manifestação predominante.

O reconhecimento da doença é especialmente importante porque, em pacientes adequadamente selecionados, existe possibilidade de tratamento cirúrgico e melhora dos sintomas.

Os três sinais clássicos da HPN

Tradicionalmente, a HPN é associada a uma tríade de manifestações:

alteração da marcha;

comprometimento cognitivo;

urgência ou incontinência urinária.

 

Nem todos os pacientes apresentam os três sinais simultaneamente — e eles podem surgir em momentos diferentes da evolução da doença.

Entre eles, a alteração da marcha costuma ser uma das manifestações mais precoces e características.

O paciente pode começar a andar mais devagar, dar passos curtos, apresentar dificuldade para iniciar o movimento e ter a sensação de que os pés estão “grudados no chão”. Também podem ocorrer instabilidade e quedas.

Com a progressão, podem surgir alterações cognitivas, como lentificação do pensamento, dificuldade de atenção e redução da iniciativa. Os problemas urinários podem começar com aumento da urgência para urinar e evoluir para incontinência.

Por que a HPN pode ser confundida com Alzheimer ou Parkinson?

Existe uma sobreposição de manifestações entre essas doenças.

Alterações cognitivas podem sugerir inicialmente um quadro demencial, enquanto a lentidão e as dificuldades para caminhar podem lembrar síndromes parkinsonianas. Além disso, como a HPN ocorre predominantemente em pessoas mais velhas, alguns sinais podem ser atribuídos simplesmente ao envelhecimento.

Por isso, a avaliação não deve considerar cada sintoma isoladamente.

História clínica, exame neurológico e exames de imagem precisam ser analisados em conjunto.

Como é feito o diagnóstico?

A ressonância magnética ou a tomografia computadorizada do crânio podem mostrar dilatação dos ventrículos cerebrais, mas encontrar ventrículos aumentados em um exame não é suficiente, isoladamente, para confirmar HPN.

É necessário verificar se os achados de imagem são compatíveis com o quadro clínico e excluir outras possíveis causas.

Em pacientes selecionados, testes de drenagem do líquido cefalorraquidiano — como o tap test, realizado por meio de punção lombar com retirada de determinado volume de líquor — podem auxiliar na avaliação da possibilidade de resposta ao tratamento.

O diagnóstico da HPN, portanto, exige uma análise especializada.

HPN tem tratamento

Esse é um dos aspectos mais importantes da doença.

Quando existe indicação, o tratamento mais utilizado é a implantação de uma derivação liquórica, frequentemente a derivação ventriculoperitoneal. O sistema permite direcionar o excesso de líquido cefalorraquidiano dos ventrículos cerebrais para outra região do organismo, geralmente a cavidade abdominal.

A resposta ao tratamento varia entre os pacientes. A marcha costuma ser o domínio com maior possibilidade de melhora, embora sintomas cognitivos e urinários também possam responder.

A seleção adequada do paciente é fundamental, porque nem toda dilatação ventricular significa HPN e nem todo paciente com suspeita da doença terá benefício com uma cirurgia.

Nem tudo deve ser atribuído à idade

Alterações progressivas na forma de caminhar, associadas a mudanças cognitivas ou no controle urinário, merecem investigação.

Em uma pessoa idosa, esses sinais não devem ser automaticamente considerados consequência natural do envelhecimento.

A Hidrocefalia de Pressão Normal é particularmente importante justamente por isso: entre diferentes condições neurológicas que podem provocar perda progressiva de independência, existe uma possibilidade potencialmente tratável.

Reconhecer o quadro e chegar ao diagnóstico correto pode fazer diferença na mobilidade, na autonomia e na qualidade de vida do paciente.

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Referências científicas

 Nakajima M, Yamada S, Miyajima M, et al. Guidelines for Management of Idiopathic Normal Pressure Hydrocephalus (Third Edition): Endorsed by the Japanese Society of Normal Pressure Hydrocephalus. Neurologia Medico-Chirurgica (Tokyo). 2021;61(2):63-97. doi:10.2176/nmc.st.2020-0292.

Williams MA, Malm J. Diagnosis and Treatment of Idiopathic Normal Pressure Hydrocephalus. Continuum (Minneap Minn). 2016;22(2 Dementia):579-599. doi:10.1212/CON.0000000000000305.

Relkin N, Marmarou A, Klinge P, Bergsneider M, Black PM. Diagnosing idiopathic normal-pressure hydrocephalus. Neurosurgery. 2005;57(3 Suppl).

Halperin JJ, Kurlan R, Schwalb JM, Cusimano MD, Gronseth G, Gloss D. Practice guideline: Idiopathic normal pressure hydrocephalus: Response to shunting and predictors of response. Neurology. 2015;85(23):2063-2071. doi:10.1212/WNL.0000000000002193.

Graff-Radford NR, Jones DT. Normal Pressure Hydrocephalus. Continuum (Minneap Minn). 2019;25(1):165-186. doi:10.1212/CON.0000000000000689.

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Dor de cabeça persistente acompanhada de alterações na visão nem sempre deve ser tratada como uma cefaleia comum. Em alguns pacientes, esse conjunto de manifestações pode estar relacionado à hipertensão intracraniana idiopática (HII), uma condição caracterizada pelo aumento da pressão dentro do crânio sem que seja identificada uma causa secundária que explique essa alteração.

A doença é considerada rara e ocorre principalmente em mulheres jovens, especialmente quando há sobrepeso ou obesidade. Embora a dor de cabeça seja uma manifestação muito frequente, uma das maiores preocupações na HII é outra: o risco de comprometimento progressivo e permanente da visão.

O que é hipertensão intracraniana idiopática?

O cérebro e a medula espinhal são envolvidos pelo líquido cefalorraquidiano, também chamado de líquor. Quando a pressão intracraniana se eleva de maneira persistente, diferentes estruturas podem ser afetadas.

Na hipertensão intracraniana idiopática, essa pressão está aumentada, mas a investigação não identifica uma causa secundária que justifique o quadro, como uma massa intracraniana, hidrocefalia ou trombose dos seios venosos cerebrais.

Por esse motivo, o diagnóstico não deve ser estabelecido apenas pela presença de dor de cabeça ou por uma medida isolada da pressão do líquor. É necessário realizar uma investigação adequada.

Quais são os principais sintomas?

A dor de cabeça é uma das manifestações mais frequentes da HII e pode ser persistente. Entretanto, outros sintomas podem acompanhar o quadro, como:

visão embaçada;

episódios transitórios de escurecimento da visão;

visão dupla;

zumbido pulsátil, frequentemente descrito como um ruído que acompanha os batimentos cardíacos;

náuseas e vômitos.

A intensidade e a combinação dessas manifestações variam de uma pessoa para outra.

Por que a visão merece tanta atenção?

Um dos principais achados da hipertensão intracraniana idiopática é o papiledema, que corresponde ao inchaço do disco óptico provocado pelo aumento da pressão intracraniana.

Quando essa pressão permanece elevada, o nervo óptico pode sofrer danos progressivos. Sem diagnóstico e tratamento adequados, existe risco de perda visual permanente.

Por isso, o acompanhamento da função visual é parte central do tratamento. Em pacientes que apresentam piora rápida da visão, a situação pode exigir uma abordagem mais urgente para preservar a função do nervo óptico.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação geralmente combina avaliação clínica, exame oftalmológico, exames de imagem e análise do líquido cefalorraquidiano.

A ressonância magnética do encéfalo — frequentemente associada à avaliação do sistema venoso cerebral — é importante para excluir outras condições capazes de provocar aumento da pressão intracraniana.

Quando não há contraindicação, a punção lombar permite medir a pressão de abertura do líquor e avaliar sua composição.

Em adultos, uma pressão de abertura elevada, medida com técnica adequada e interpretada juntamente com os demais achados clínicos e radiológicos, faz parte dos critérios diagnósticos.

Ou seja: a HII é um diagnóstico que depende do conjunto das informações, e não de um único exame.

Como a hipertensão intracraniana idiopática é tratada?

O tratamento possui três grandes objetivos: controlar a doença, preservar a visão e reduzir o impacto da dor de cabeça.

Nos pacientes com excesso de peso, a redução do peso corporal é considerada uma intervenção modificadora da própria doença e pode contribuir para diminuir a pressão intracraniana.

Medicamentos como a acetazolamida podem ser utilizados em determinados pacientes para reduzir a produção de líquido cefalorraquidiano. A indicação e a dose devem ser individualizadas e acompanhadas pelo médico.

Quando existe deterioração da função visual apesar do tratamento clínico, ou quando a perda visual progride rapidamente, procedimentos cirúrgicos podem ser necessários.

Entre as possibilidades estão técnicas de derivação do líquor, que permitem reduzir a pressão intracraniana. Outras intervenções podem ser consideradas de acordo com as características de cada caso e com a experiência da equipe responsável.

Nem toda dor de cabeça é simples

Ter dor de cabeça não significa ter hipertensão intracraniana idiopática. Existem inúmeras causas de cefaleia, e a HII é uma condição incomum.

O que merece atenção é a persistência da dor, principalmente quando associada a alterações visuais ou outros achados sugestivos de aumento da pressão intracraniana.

Nessas situações, investigar corretamente é mais importante do que simplesmente controlar a dor.

Na hipertensão intracraniana idiopática, o diagnóstico precoce tem um objetivo especialmente importante: controlar a pressão intracraniana antes que o nervo óptico sofra um dano irreversível.

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Referências científicas

Mollan SP, Davies B, Silver NC, et al. Idiopathic intracranial hypertension: consensus guidelines on management. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry. 2018;89(10):1088-1100. doi:10.1136/jnnp-2017-317440.Wakerley BR,

Mollan SP, Sinclair AJ. Idiopathic intracranial hypertension: Update on diagnosis and management. Clinical Medicine (London). 2020;20(4):384-388. doi:10.7861/clinmed.2020-0232.

Ahmad SR, Moss HE. Update on the diagnosis and treatment of idiopathic intracranial hypertension. Seminars in Neurology. 2019;39(6):682-691. doi:10.1055/s-0039-1698744.

NORDIC Idiopathic Intracranial Hypertension Study Group Writing Committee. Effect of acetazolamide on visual function in patients with idiopathic intracranial hypertension and mild visual loss: The Idiopathic Intracranial Hypertension Treatment Trial. JAMA. 2014;311(16):1641-1651. doi:10.1001/jama.2014.3312.

Mollan SP, Mitchell JL, Ottridge RS, et al. Effectiveness of bariatric surgery vs community weight management intervention for the treatment of idiopathic intracranial hypertension: A randomized clinical trial. JAMA Neurology. 2021;78(6):678-686. doi:10.1001/jamaneurol.2021.0659.

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Nem toda lesão cerebral deve ser removida imediatamente. Em muitos casos, antes de definir qualquer tratamento, é fundamental identificar com precisão a natureza da alteração encontrada nos exames de imagem.

É nesse contexto que a biópsia estereotáxica se torna uma ferramenta importante da neurocirurgia moderna.

Trata-se de um procedimento minimamente invasivo que permite obter pequenas amostras de tecido cerebral com elevada precisão, utilizando planejamento computadorizado e sistemas de navegação guiados por imagens de ressonância magnética ou tomografia.

O que é a biópsia estereotáxica?

A biópsia estereotáxica é uma técnica neurocirúrgica utilizada para diagnosticar lesões intracranianas localizadas em regiões profundas ou delicadas do cérebro.

Durante o procedimento, o neurocirurgião utiliza coordenadas tridimensionais obtidas por exames de imagem para alcançar a lesão com extrema precisão, reduzindo a necessidade de grandes aberturas cirúrgicas.

O objetivo é coletar pequenos fragmentos da lesão para análise anatomopatológica e molecular, permitindo identificar exatamente o tipo de tumor, inflamação, infecção ou outra alteração cerebral.

Quando ela é indicada?

A biópsia estereotáxica costuma ser indicada quando:

  • A lesão está localizada em áreas nobres do cérebro

  • O tumor é profundo ou de difícil acesso

  • Há necessidade de confirmação diagnóstica antes de iniciar tratamento

  • O risco de uma cirurgia aberta seria elevado

  • Existe dúvida diagnóstica entre tumor, inflamação, infecção ou doenças desmielinizantes

Ela é frequentemente utilizada na investigação de:

  • Gliomas

  • Linfomas do sistema nervoso central

  • Metástases cerebrais

  • Lesões inflamatórias ou infecciosas

  • Doenças neurodegenerativas específicas

Vantagens da técnica

A principal vantagem da biópsia estereotáxica é a combinação entre precisão diagnóstica e baixa agressividade cirúrgica.

Entre os benefícios estão:

  • Menor trauma cirúrgico

  • Incisões reduzidas

  • Recuperação mais rápida

  • Menor tempo de internação

  • Alta precisão na coleta do material

Além disso, o diagnóstico correto permite definir com segurança os próximos passos do tratamento, que podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou acompanhamento clínico.

Segurança e tecnologia

Os avanços da neuronavegação, da ressonância magnética e do planejamento cirúrgico tornaram a biópsia estereotáxica um procedimento cada vez mais seguro e eficaz.

Mesmo assim, como qualquer procedimento neurocirúrgico, exige planejamento individualizado, experiência da equipe e avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios.

O diagnóstico é parte essencial do tratamento

Na neurocirurgia, a decisão terapêutica depende diretamente da precisão diagnóstica.

Nem toda lesão cerebral é igual. Lesões com aparência semelhante nos exames podem ter comportamentos completamente diferentes, exigindo abordagens específicas para cada caso.

Por isso, a biópsia estereotáxica muitas vezes representa o primeiro passo para um tratamento mais seguro, assertivo e personalizado.

 


 

Referências científicas

  1. Hall WA. The safety and efficacy of stereotactic biopsy for intracranial lesions. Cancer. 1998;82(9):1749–1755.

  2. Bernstein M, Parrent AG. Complications of CT-guided stereotactic biopsy of intra-axial brain lesions. Journal of Neurosurgery. 1994;81(2):165–168.

  3. Woodworth GF, et al. Frameless and frame-based stereotactic brain biopsy: a prospective comparison. Journal of Neurosurgery. 2006;104(5):736–740.

  4. Kickingereder P, et al. Diagnostic value and safety of stereotactic biopsy for brain lesions. Neurosurgical Review. 2013;36(3):449–457.

  5. Apuzzo MLJ, et al. Computed imaging stereotaxy: experience and perspective related to 500 procedures applied to brain masses. Neurosurgery. 1987;20(6):930–937.

 


 

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Receber o diagnóstico de um tumor cerebral costuma ser um dos momentos mais desafiadores na vida de um paciente e de sua família. Além das dúvidas sobre a doença, surgem preocupações relacionadas ao tratamento, aos riscos envolvidos e às perspectivas para o futuro.

Nesse contexto, é importante compreender que a neurocirurgia oncológica vai muito além do ato cirúrgico.

O tratamento de tumores cerebrais envolve uma série de decisões complexas, que exigem análise cuidadosa das características da lesão, das condições clínicas do paciente e dos objetivos terapêuticos em cada etapa do processo.

Cada tumor cerebral é único

Os tumores cerebrais apresentam comportamentos muito diferentes entre si.

Alguns crescem lentamente e podem permanecer estáveis por longos períodos. Outros possuem comportamento mais agressivo e exigem tratamento rápido e multidisciplinar.

Por isso, a avaliação de um tumor cerebral envolve diversos fatores:

✓ Tipo do tumor

✓ Localização da lesão

✓ Tamanho e extensão

✓ Presença de sintomas neurológicos

✓ Idade e condições clínicas do paciente

✓ Perfil molecular e genético do tumor

A partir dessas informações, é possível definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada caso.

O papel da tecnologia na neurocirurgia moderna

Nas últimas décadas, a neurocirurgia passou por uma transformação significativa graças aos avanços tecnológicos.

Hoje, diversos recursos auxiliam no planejamento e na execução dos procedimentos, aumentando a segurança e a precisão cirúrgica.

Entre as principais tecnologias utilizadas estão:

✓ Neuronavegação intraoperatória

✓ Microscopia cirúrgica de alta definição

✓ Monitorização neurofisiológica intraoperatória

✓ Técnicas endoscópicas avançadas

✓ Planejamento tridimensional por ressonância magnética

Essas ferramentas permitem localizar o tumor com maior precisão, reduzir riscos e preservar funções neurológicas importantes sempre que possível.

Preservar a função é tão importante quanto remover o tumor

O objetivo do tratamento não é apenas retirar a lesão.

Em muitos casos, o desafio está em encontrar o equilíbrio entre a máxima ressecção tumoral possível e a preservação das funções neurológicas.

Estamos lidando com um órgão responsável por funções essenciais, como:

✓ Movimento

✓ Linguagem

✓ Memória

✓ Visão

✓ Comportamento

✓ Tomada de decisões

Por isso, cada milímetro importa.

A estratégia cirúrgica deve ser individualizada para minimizar riscos e maximizar a qualidade de vida após o tratamento.

O acompanhamento continua após a cirurgia

Muitas pessoas acreditam que o tratamento termina após a cirurgia. Na realidade, essa é apenas uma das etapas do cuidado.

Após o procedimento, podem ser necessários:

✓ Exames periódicos de controle

✓ Avaliação anatomopatológica detalhada

✓ Estudos moleculares do tumor

✓ Radioterapia

✓ Quimioterapia

✓ Reabilitação neurológica

✓ Seguimento multidisciplinar

O acompanhamento contínuo permite monitorar a resposta ao tratamento e identificar precocemente qualquer alteração que exija nova intervenção.

O valor do cuidado humanizado

Embora a tecnologia tenha revolucionado a neurocirurgia, ela não substitui aspectos fundamentais do cuidado médico.

Escutar o paciente, compreender suas preocupações, esclarecer dúvidas e estar presente durante todas as etapas do tratamento continuam sendo pilares essenciais da prática neurocirúrgica.

O tratamento de um tumor cerebral envolve não apenas exames e procedimentos, mas também acolhimento, confiança e construção de uma relação sólida entre médico, paciente e familiares.

Conclusão

A neurocirurgia oncológica moderna combina tecnologia avançada, conhecimento científico e cuidado individualizado.

O tratamento de tumores cerebrais exige planejamento cuidadoso, avaliação multidisciplinar e acompanhamento contínuo, sempre com o objetivo de oferecer a melhor estratégia para cada paciente.

Mais do que tratar uma doença, a missão é preservar funções neurológicas, qualidade de vida e bem-estar ao longo de toda a jornada terapêutica.

Referências Científicas

✓ Weller M, van den Bent M, Preusser M, et al. EANO guidelines on the diagnosis and treatment of diffuse gliomas. Nature Reviews Clinical Oncology. 2021;18(3):170-186.

✓ Stupp R, Brada M, van den Bent MJ, Tonn JC, Pentheroudakis G. High-grade glioma: ESMO Clinical Practice Guidelines. Annals of Oncology. 2014;25(Suppl 3):iii93-iii101.

✓ Sanai N, Berger MS. Glioma extent of resection and its impact on patient outcome. Neurosurgery. 2008;62(4):753-766.

✓ Hervey-Jumper SL, Berger MS. Maximizing safe resection of low- and high-grade glioma. Journal of Neuro-Oncology. 2016;130(2):269-282.

✓ Louis DN, Perry A, Wesseling P, et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System. Neuro-Oncology. 2021;23(8):1231-1251.

 


 

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Quinta, 18 Junho 2026 13:34

O que é um Abscesso Cerebral?

O abscesso cerebral é uma condição neurológica rara, porém potencialmente grave. Trata-se de uma infecção localizada dentro do cérebro que leva à formação de uma cavidade preenchida por pus, resultado da resposta do organismo à presença de bactérias, fungos ou outros microrganismos.

Embora seja incomum, o abscesso cerebral representa uma emergência médica e neurocirúrgica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir o risco de sequelas neurológicas permanentes e complicações potencialmente fatais.

Como ocorre um abscesso cerebral?

O cérebro possui mecanismos de proteção altamente eficientes contra infecções. No entanto, em determinadas situações, microrganismos podem ultrapassar essas barreiras e atingir o tecido cerebral.

Quando isso acontece, o organismo desencadeia uma intensa resposta inflamatória, formando uma cápsula ao redor da infecção. O resultado é o desenvolvimento de um abscesso, que pode crescer progressivamente e exercer efeito de massa sobre estruturas cerebrais importantes.

Além da infecção em si, o aumento da pressão intracraniana provocado pela lesão pode representar um risco significativo para o paciente.

Quais são as principais causas?

 

As causas mais frequentes incluem:

 

✓ Infecções dos seios da face (sinusites)
✓ Infecções do ouvido médio e mastoide
✓ Infecções pulmonares
✓ Endocardite infecciosa
✓ Traumatismos cranianos
✓ Cirurgias neurológicas prévias
✓ Estados de imunossupressão

 


 

Quais são os sintomas?

 

Os sinais mais comuns incluem:

 

✓ Dor de cabeça persistente e progressiva
✓ Febre
✓ Náuseas e vômitos
✓ Sonolência
✓ Confusão mental
✓ Alterações do comportamento
✓ Convulsões
✓ Fraqueza em braços ou pernas
✓ Alterações da fala
✓ Distúrbios visuais

 


 

Qual é o tratamento?

 

A abordagem geralmente envolve:

 

Antibioticoterapia intravenosa

 

Antibióticos de amplo espectro são iniciados imediatamente e posteriormente ajustados conforme os resultados microbiológicos.

 

O tratamento costuma ser prolongado, frequentemente com duração de várias semanas.

 

Tratamento cirúrgico

 

Em muitos casos, a cirurgia é necessária para:

 

✓ Drenar o conteúdo purulento
✓ Reduzir a pressão intracraniana
✓ Obter material para análise microbiológica
✓ Controlar infecções que não respondem adequadamente ao tratamento clínico

 


 

Referências Científicas

 

✓ Brouwer MC, Coutinho JM, van de Beek D. Clinical characteristics and outcome of brain abscess: systematic review and meta-analysis. Neurology. 2014;82(9):806-813.

 

✓ Nathoo N, Nadvi SS, Narotam PK, van Dellen JR. Brain abscess: management and outcome analysis of a computed tomography era experience with 973 patients. World Neurosurgery. 2011;75(5-6):716-726.

 

✓ Helweg-Larsen J, Astradsson A, Richhall H, Erdal J, Laursen A, Brennum J. Pyogenic brain abscess, a 15 year survey. BMC Infectious Diseases. 2012;12:332.

 

✓ Moorthy RK, Rajshekhar V. Management of brain abscess: an overview. Neurosurgical Focus. 2008;24(6):E3.

 

✓ Patel K, Clifford DB. Bacterial brain abscess. Neurohospitalist. 2014;4(4):196-204.

 


 

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A dor de cabeça é uma das queixas neurológicas mais comuns na população. Na maioria das vezes, está relacionada a condições benignas, como enxaqueca, cefaleia tensional, estresse, privação de sono ou alterações musculares.

No entanto, algumas características da dor merecem atenção especial. Uma delas é a cefaleia que desperta o paciente durante a noite ou que está presente logo ao acordar pela manhã.

Embora nem sempre indique uma doença grave, esse padrão pode estar associado a alterações neurológicas que exigem investigação médica.

Nem toda dor de cabeça é igual

As cefaleias primárias, como a enxaqueca e a cefaleia tensional, costumam ocorrer sem uma causa estrutural no cérebro. Já as cefaleias secundárias são consequência de uma condição subjacente, como tumores, infecções, alterações vasculares ou aumento da pressão intracraniana.

É justamente nesse grupo que se encontram algumas das dores de cabeça que despertam o paciente durante o sono.

Por que a dor pode piorar durante a noite ou ao despertar?

Algumas doenças neurológicas podem provocar aumento da pressão dentro do crânio. Durante o período de sono, determinadas alterações fisiológicas podem intensificar esse aumento de pressão, fazendo com que o paciente acorde devido à dor ou perceba os sintomas de forma mais intensa nas primeiras horas da manhã.

Nesses casos, a cefaleia pode apresentar características específicas:

▸ Dor progressiva ao longo das semanas ou meses
▸ Intensidade maior ao despertar
▸ Piora ao tossir, espirrar ou fazer esforço
▸ Associação com náuseas e vômitos
▸ Melhora parcial após levantar-se da cama

Esses sinais justificam uma avaliação médica mais detalhada.

Sinais de alerta que merecem investigação

Algumas manifestações associadas à dor de cabeça aumentam a suspeita de uma causa neurológica secundária.

Entre os principais sinais de alerta estão:

▸ Cefaleia progressivamente mais intensa
▸ Náuseas e vômitos sem explicação gastrointestinal
▸ Alterações visuais, como visão dupla ou embaçada
▸ Sonolência excessiva
▸ Confusão mental
▸ Convulsões
▸ Fraqueza em braços ou pernas
▸ Alterações da fala
▸ Perda de sensibilidade em parte do corpo
▸ Mudanças cognitivas ou comportamentais recentes

A presença de um ou mais desses sintomas não significa necessariamente uma doença grave, mas reforça a necessidade de investigação.

Quais doenças podem estar associadas?

Diversas condições neurológicas podem causar cefaleias que despertam o paciente durante a noite.

Tumores cerebrais

Dependendo do tamanho e da localização, os tumores podem provocar aumento da pressão intracraniana e desencadear dores de cabeça progressivas, frequentemente associadas a sintomas neurológicos adicionais.

Hidrocefalia

A hidrocefalia ocorre quando há acúmulo excessivo de líquor dentro do cérebro. O aumento da pressão intracraniana pode gerar cefaleias, náuseas, alterações cognitivas e desequilíbrio.

Hipertensão intracraniana

A hipertensão intracraniana idiopática ou secundária a outras doenças também pode provocar dor de cabeça intensa, alterações visuais e papiledema.

Lesões vasculares

Algumas alterações vasculares cerebrais, incluindo malformações e aneurismas específicos, podem estar associadas a cefaleias persistentes ou progressivas.

Infecções do sistema nervoso central

Meningites, encefalites e abscessos cerebrais podem cursar com dor de cabeça intensa, febre e alterações neurológicas.

Como é feita a investigação?

A avaliação começa com uma história clínica detalhada e um exame neurológico completo.

Dependendo das características da cefaleia e dos sintomas associados, podem ser solicitados exames complementares, como:

▸ Ressonância magnética do encéfalo
▸ Tomografia computadorizada
▸ Avaliação oftalmológica
▸ Exames laboratoriais
▸ Punção lombar em situações específicas

O objetivo é identificar ou descartar causas estruturais que exijam tratamento específico.

Quando procurar um neurocirurgião?

A avaliação neurocirúrgica é recomendada quando existe suspeita de uma condição estrutural envolvendo o cérebro, como tumores, hidrocefalia, lesões vasculares ou outras alterações identificadas nos exames de imagem.

O papel do neurocirurgião é definir a causa dos sintomas, orientar a investigação adequada e indicar o tratamento mais apropriado para cada situação.

Conclusão

Acordar durante a noite por causa de uma dor de cabeça ou apresentar cefaleia persistente ao despertar não significa necessariamente a presença de uma doença grave. Entretanto, quando esse sintoma surge de forma progressiva ou está associado a alterações neurológicas, merece atenção especializada.

O diagnóstico precoce permite identificar condições potencialmente tratáveis antes que ocorram complicações mais importantes.

Em neurologia e neurocirurgia, reconhecer os sinais de alerta pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do paciente.

Referências Científicas

▸ Dodick DW. Clinical clues and clinical rules: approach to accurate diagnosis of headache. Neurology. 2003;61(6 Suppl 4):S3-S7.

▸ Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211.

▸ Friedman DI, Liu GT, Digre KB. Revised diagnostic criteria for idiopathic intracranial hypertension. Neurology. 2013;81(13):1159-1165.

▸ Wijdicks EFM. Neurologic complications of increased intracranial pressure. Continuum (Minneap Minn). 2018;24(5):1283-1304.

▸ Olesen J, Bendtsen L, Dodick D, et al. Secondary headaches: red flags and diagnosis. Lancet Neurology. 2023;22(3):241-254.

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A dor lombar é uma das queixas médicas mais comuns em todo o mundo e representa uma das principais causas de afastamento do trabalho e redução da qualidade de vida. Embora muitas vezes seja autolimitada e relacionada a fatores musculares ou posturais, em alguns casos ela pode estar associada a alterações estruturais da coluna ou compressões nervosas que exigem avaliação especializada.

Entender a origem da dor é fundamental para definir o tratamento mais adequado. Entre as causas mais frequentes estão a ciatalgia, a lombalgia mecânica e a síndrome do piriforme.

Ciatalgia: quando o nervo ciático é comprimido

A ciatalgia, popularmente conhecida como “dor no nervo ciático”, ocorre quando há compressão ou irritação do nervo ciático ou de suas raízes na coluna lombar.

Esse quadro geralmente provoca uma dor que se inicia na região lombar e se irradia para o glúteo, coxa e, em alguns casos, até o pé. Além da dor, podem ocorrer formigamento, dormência ou fraqueza na perna.

Entre as causas mais comuns estão:

+ Hérnia de disco lombar

+ Estenose do canal vertebral

+ Espondilolistese

+ Alterações degenerativas da coluna

Quando há compressão significativa da raiz nervosa, a dor tende a ser intensa e pode limitar atividades simples do dia a dia.

Lombalgia: a dor localizada na parte baixa das costas

A lombalgia refere-se à dor localizada na região inferior da coluna. Muitas vezes surge de forma súbita após esforço físico, levantamento de peso, movimentos bruscos ou má postura prolongada.

Na maioria das situações, a lombalgia está relacionada a distensões musculares ou sobrecarga mecânica da coluna. Esses casos geralmente respondem bem a medidas conservadoras, como repouso relativo, medicação e fisioterapia.

No entanto, quando a dor persiste por semanas, piora progressivamente ou vem acompanhada de sintomas neurológicos, é importante investigar causas estruturais mais complexas.

Síndrome do Piriforme: uma causa menos conhecida

A síndrome do piriforme ocorre quando o músculo piriforme, localizado na região profunda do glúteo, comprime ou irrita o nervo ciático.

Esse quadro pode gerar dor semelhante à ciatalgia causada por hérnia de disco, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico inicial. A dor costuma se concentrar no glúteo e pode irradiar para a parte posterior da coxa.

O tratamento costuma envolver fisioterapia específica, alongamentos, medicações e, em alguns casos, infiltrações terapêuticas.

Onde entra o neurocirurgião?

O papel do neurocirurgião não é apenas realizar cirurgias, mas principalmente identificar a causa da dor e orientar o tratamento adequado para cada paciente.

A avaliação especializada torna-se essencial quando surgem sinais como:

+ Dor persistente ou progressiva

+ Irradiação da dor para a perna

+ Formigamento ou perda de sensibilidade

+ Fraqueza muscular

+ Limitação funcional importante

A partir da história clínica, exame neurológico e exames de imagem — como a ressonância magnética — é possível determinar se existe compressão neural ou outra alteração estrutural da coluna.

Tratamento: nem sempre é cirurgia

A maioria dos pacientes melhora com tratamento conservador. Dependendo do diagnóstico, as opções terapêuticas podem incluir:

+ Medicação analgésica e anti-inflamatória

+ Fisioterapia direcionada

+ Infiltrações terapêuticas guiadas por imagem

+ Mudanças posturais e fortalecimento muscular

A cirurgia é considerada apenas quando há compressão nervosa significativa, dor incapacitante que não melhora com tratamento conservador ou déficit neurológico progressivo.

Atualmente, muitas intervenções podem ser realizadas por técnicas minimamente invasivas, que reduzem o trauma cirúrgico, o tempo de internação e o período de recuperação.

Conclusão

Nem toda dor lombar é igual, e compreender sua origem é o primeiro passo para um tratamento eficaz. A avaliação adequada permite diferenciar dores musculares benignas de condições que envolvem compressão nervosa ou alterações estruturais da coluna.

Quando a dor persiste ou apresenta sinais de alerta, procurar avaliação especializada pode evitar a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

 


 

Referências

1. Deyo RA, Mirza SK, Martin BI. Back pain prevalence and visit rates: estimates from U.S. national surveys. Spine. 2006;31(23):2724–2727.

2. Kreiner DS, Hwang SW, Easa JE et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. Spine Journal. 2014;14(1):180–191.

3. Stafford MA, Peng P, Hill DA. Sciatica: a review of history, epidemiology, pathogenesis, and the role of epidural steroid injection in management. British Journal of Anaesthesia. 2007;99(4):461–473.

4. Hopayian K, Song F, Riera R, Sambandan S. The clinical features of the piriformis syndrome: a systematic review. European Spine Journal. 2010;19(12):2095–2109.

5. Genevay S, Atlas SJ. Lumbar spinal stenosis. Best Practice & Research Clinical Rheumatology. 2010;24(2):253–265.

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A hidrocefalia é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquor (líquido cefalorraquidiano) nos ventrículos cerebrais, levando ao aumento da pressão intracraniana e à compressão das estruturas do sistema nervoso central. Pode ocorrer em diferentes contextos clínicos — desde a infância até a terceira idade — e exige avaliação especializada.

Quando o diagnóstico é estabelecido, cada detalhe importa. A escolha do tipo de válvula, o momento da cirurgia e o acompanhamento pós-operatório influenciam diretamente os resultados.

O papel da válvula no tratamento da hidrocefalia

O tratamento cirúrgico mais comum é a implantação de um sistema de derivação ventricular, que drena o excesso de líquor para outra parte do corpo, geralmente a cavidade abdominal (derivação ventrículo-peritoneal).

Tradicionalmente, as válvulas possuíam pressão fixa. No entanto, a resposta ao tratamento varia de paciente para paciente. Drenagem insuficiente pode manter os sintomas; drenagem excessiva pode causar complicações, como cefaleia postural, hematomas subdurais ou colapso ventricular.

É nesse contexto que a válvula programável representa um avanço significativo.

O que é a válvula programável?

A válvula programável permite ajustar externamente a pressão de abertura do sistema, sem necessidade de nova cirurgia. Utilizando um dispositivo magnético específico, o neurocirurgião pode regular o fluxo de drenagem conforme a evolução clínica e radiológica do paciente.

Essa possibilidade de ajuste fino transforma o tratamento em um processo mais personalizado e dinâmico.

Por que isso é importante?

Nem todo cérebro responde da mesma forma ao desvio do líquor. Pacientes com:

  • Hidrocefalia de pressão normal (HPN)

  • Hidrocefalia secundária a hemorragias ou infecções

  • Hipertensão intracraniana idiopática

frequentemente se beneficiam dessa flexibilidade terapêutica.

A válvula programável permite adaptar o tratamento às necessidades individuais, oferecendo maior controle de sintomas como alterações de marcha, déficit cognitivo, cefaleia e distúrbios urinários.

Segurança e acompanhamento

O acompanhamento periódico é fundamental. Avaliação clínica detalhada, exames de imagem e monitoramento dos sintomas orientam possíveis ajustes na programação da válvula.

A tecnologia, quando associada a uma conduta médica criteriosa, aumenta a segurança e reduz complicações relacionadas à hiperdrenagem ou subdrenagem.

Conclusão

A válvula programável representa um avanço importante no tratamento da hidrocefalia, permitindo uma abordagem individualizada e ajustável ao longo do tempo.

O objetivo permanece o mesmo: aliviar a pressão intracraniana com precisão, preservar funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Se você ou um familiar recebeu o diagnóstico de hidrocefalia, a avaliação com um neurocirurgião experiente é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica.

Agendamentos:
? (11) 95121-6699
Dr. Rodolfo Casimiro – Neurocirurgião

 


 

Referências científicas

  1. Kazui H, Miyajima M, Mori E, Ishikawa M. Lumboperitoneal shunt surgery for idiopathic normal pressure hydrocephalus (SINPHONI-2). Lancet Neurology. 2015.

  2. Toma AK, Papadopoulos MC, Stapleton S, Kitchen ND, Watkins LD. Systematic review of the outcome of shunt surgery in normal-pressure hydrocephalus. Acta Neurochirurgica. 2013.

  3. Lemcke J, Meier U, Müller C, Fritsch MJ. Safety and efficacy of gravitational shunt valves in patients with idiopathic normal-pressure hydrocephalus. Journal of Neurosurgery. 2013.

  4. Halperin JJ, Kurlan R, Schwalb JM, Cusimano MD. Practice guideline: Idiopathic normal pressure hydrocephalus. Neurology. 2015.

  5. Bateman GA. The pathophysiology of idiopathic normal pressure hydrocephalus: Cerebral ischemia or altered venous hemodynamics? AJNR American Journal of Neuroradiology. 2008.
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A cranioplastia é um procedimento neurocirúrgico realizado para reconstruir uma parte do crânio que foi previamente removida. Essa remoção, chamada de craniectomia, pode ser necessária em diversas situações, como traumas cranianos graves, cirurgias de emergência para descompressão cerebral, infecções ou remoção de tumores que comprometem o osso craniano.

Embora inicialmente pareça apenas uma cirurgia reconstrutiva, a cranioplastia envolve mais do que a estética: ela desempenha papel importante na proteção neurológica, melhora de sintomas clínicos e recuperação funcional do paciente.

 


 

Quando a Cranioplastia é Indicada?

A reconstrução do crânio é recomendada principalmente nos seguintes cenários:

  • Traumatismo craniano grave, com fratura complexa ou afundamento ósseo

  • Craniectomia descompressiva anterior (por edema cerebral, AVC ou hemorragia intracraniana)

  • Infecções que afetaram o osso (como osteomielite pós-operatória)

  • Ressecção de tumores que envolvem o osso craniano

  • Deformidades congênitas ou sequelas pós-cirúrgicas

O momento ideal para a realização da cranioplastia varia de caso a caso. Em geral, espera-se um período de 6 semanas a 6 meses após a cirurgia inicial, quando não há sinais de infecção ou hipertensão intracraniana residual.

 


 

Por que realizar a Cranioplastia?

Além de devolver a forma anatômica do crânio, a cranioplastia pode ter impacto funcional significativo:

  • Redução de cefaleias crônicas

  • Melhora da pressão intracraniana e circulação do líquor

  • Melhora do fluxo sanguíneo cerebral regional

  • Redução de déficits neurológicos residuais (inclusive sintomas cognitivos ou motores)

  • Proteção mecânica do cérebro (prevenção de novos traumas locais)

Esse conjunto de sintomas é conhecido na literatura como Síndrome do Osso Afundado (“syndrome of the trephined”), uma condição muitas vezes reversível após a reconstrução craniana.

 


 

Como a Cranioplastia é Realizada?

O procedimento consiste em reabrir o local da craniectomia, preparar os bordos ósseos e fixar o novo implante. Existem duas abordagens principais:

  1. Reposição do próprio osso (crioarmazenado após a craniectomia)

  2. Uso de materiais sintéticos biocompatíveis, como:

    • Titânio (durável, moldável, ideal para grandes defeitos)

    • PEEK (polieteretercetona) (material plástico leve e resistente, com ótimo resultado estético)

    • PMMA (acrílico) (usado em moldagens personalizadas ou intraoperatórias)

A escolha do material depende de fatores como:

  • Tempo desde a cirurgia original

  • Presença ou não de infecção prévia

  • Tamanho e localização do defeito

  • Condições clínicas do paciente

 


 

Resultados e Riscos

A taxa de sucesso da cranioplastia é elevada, especialmente quando bem indicada e em centros com experiência. Entre os principais riscos estão:

  • Infecção da prótese

  • Hematomas

  • Necessidade de nova intervenção

A técnica tem avançado com planejamento virtual 3D, que permite moldes personalizados e melhor adaptação dos implantes, com menor tempo cirúrgico e maior precisão.

 


 

Considerações Finais

A cranioplastia vai além da reconstrução estética. Quando bem indicada, ela pode restabelecer a função neurológica, reduzir sintomas incapacitantes e devolver proteção e confiança ao paciente.

Cada decisão deve ser individualizada, levando em conta riscos, benefícios e expectativas. O acompanhamento com um neurocirurgião experiente é fundamental para garantir segurança e bons resultados.

 


 

Referências:

  1. Winkler PA, Stummer W, Linke R, Krishnan KG, Tatsch K. Influence of cranioplasty on postural blood flow regulation, cerebrovascular reserve capacity, and cerebral glucose metabolism. J Neurosurg. 2000;93(1):53-61. doi:10.3171/jns.2000.93.1.0053

  2. Gooch MR, Gin GE, Kenning TJ, German JW. Complications of cranioplasty following decompressive craniectomy: analysis of 62 cases. Neurosurg Focus. 2009;26(6):E9. doi:10.3171/2009.4.FOCUS0995

  3. Zanaty M, Chalouhi N, Starke RM, et al. Complications following cranioplasty: incidence and predictors in 348 cases. J Neurosurg. 2015;123(1):182-188. doi:10.3171/2014.10.JNS14471

 


 

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O meduloblastoma é um tumor cerebral maligno que se origina na fossa posterior do crânio, mais especificamente no cerebelo — região responsável por funções motoras finas, equilíbrio e coordenação. Apesar de ser mais comum em crianças, também pode acometer adultos, exigindo uma abordagem diferenciada e altamente especializada.

Nos últimos anos, os avanços da neurocirurgia permitiram melhorias significativas na segurança e eficácia do tratamento cirúrgico deste tipo de tumor. A cirurgia continua sendo o primeiro passo do tratamento, e a remoção completa do tumor é um dos principais fatores prognósticos.

Tecnologias que revolucionaram a neurocirurgia

• Neuronavegação cirúrgica
Funciona como um “GPS” durante o procedimento, permitindo ao neurocirurgião planejar com precisão o trajeto até o tumor e orientar a ressecção, respeitando estruturas críticas adjacentes.

• Microscopia cirúrgica de alta definição
Garante aumento da imagem e iluminação intensa das estruturas neurológicas, possibilitando uma dissecção mais segura e detalhada.

• Monitoramento neurofisiológico intraoperatório
Monitora em tempo real as vias neurológicas motoras, sensitivas e auditivas, principalmente quando o tumor está próximo ao tronco encefálico. Essa técnica reduz o risco de sequelas neurológicas permanentes.

• Ressonância magnética intraoperatória (em centros de referência)
Permite verificar ainda durante a cirurgia se a remoção foi completa, aumentando as chances de ressecção total e reduzindo a necessidade de reoperações.

A importância de uma abordagem multidisciplinar

Embora a cirurgia seja o primeiro passo, o tratamento completo do meduloblastoma envolve:

  • Quimioterapia (em especial em pacientes pediátricos)

  • Radioterapia craniospinal

  • Reabilitação neurológica, fonoaudiológica e fisioterápica

Além disso, fatores como o subtipo molecular do tumor, idade do paciente, extensão da doença e presença de metástases influenciam diretamente na conduta terapêutica e no prognóstico.

Conclusão

O meduloblastoma é uma condição desafiadora, mas tratável. A integração entre tecnologia cirúrgica avançada, decisões clínicas individualizadas e apoio multidisciplinar tem proporcionado melhores resultados e maior qualidade de vida aos pacientes.

Na prática neurocirúrgica, o conhecimento técnico é essencial — mas o cuidado humanizado com cada paciente e sua família permanece como base de todo o tratamento.

 


 

Referências:

 

  1. Millard NE, De Braganca KC. Medulloblastoma. J Child Neurol. 2016;31(12):1341–1353.

  2. Juraschka K, Taylor MD. Medulloblastoma in the age of molecular subgroups: a review. J Neurosurg Pediatr. 2019;24(4):353–363.

  3. Packer RJ, Pfister SM, Bouffet E. Pediatric Medulloblastoma: Current Therapies, Emerging Molecular Landscape and Future Directions. Nat Rev Clin Oncol. 2017;14(6):347–359.

  4. Smith MJ, et al. Surgical Strategies in the Management of Medulloblastoma. Neurosurg Clin N Am. 2020;31(2):245–254.

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