A dor nas costas é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos e, em grande parte dos casos, está relacionada a causas benignas e autolimitadas, como distensões musculares ou má postura. No entanto, quando essa dor persiste, se intensifica ou se associa a outros sintomas neurológicos, pode sinalizar um problema estrutural mais grave que exige avaliação especializada — e, em alguns casos, cirurgia.
Nesta reportagem, abordaremos as principais causas de dor lombar e cervical de origem estrutural, destacando quando a intervenção cirúrgica se torna necessária e quais são os avanços atuais da neurocirurgia da coluna.
A hérnia de disco ocorre quando o núcleo pulposo do disco intervertebral extravasa e comprime estruturas nervosas próximas, como as raízes da medula espinhal. Pode surgir tanto na coluna lombar (mais comum) quanto na cervical.
Sintomas principais:
• Dor irradiada (ciatalgia ou braquialgia)
• Formigamento e dormência nos braços ou pernas
• Fraqueza muscular
• Dificuldade para caminhar ou realizar movimentos finos
Quando operar?
O tratamento inicial é clínico, com fisioterapia e medicamentos. A cirurgia está indicada em casos de dor incapacitante persistente por mais de 6 a 8 semanas, falha do tratamento conservador ou presença de déficit neurológico progressivo.
A estenose do canal vertebral é o estreitamento do espaço por onde passa a medula ou as raízes nervosas. Geralmente acomete idosos, sendo causada por artrose, hipertrofia de ligamentos e protrusão discal.
Sintomas principais:
• Dor nas pernas ao caminhar (claudicação neurogênica)
• Alívio da dor ao sentar ou inclinar o corpo para frente
• Fraqueza e formigamento
• Redução da mobilidade
Quando operar?
Em casos de limitação funcional severa e falha do tratamento conservador, a cirurgia descompressiva melhora a qualidade de vida e pode devolver a autonomia do paciente.
A espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre a outra, podendo causar compressão dos nervos e instabilidade da coluna. É mais comum na região lombar e pode ser congênita, degenerativa ou traumática.
Sintomas principais:
• Dor lombar persistente
• Irradiação para as pernas
• Sensação de “travamento” da coluna
• Instabilidade ao caminhar
Quando operar?
A cirurgia está indicada quando há instabilidade confirmada por exames, dor refratária ou sintomas neurológicos progressivos. A artrodese (fusão vertebral) é frequentemente utilizada nesses casos.
Com os avanços da neurocirurgia, muitas dessas condições podem ser tratadas por técnicas minimamente invasivas, como microdiscectomia, endoscopia de coluna e descompressão tubular. Essas abordagens oferecem:
• Menor incisão
• Menos dor no pós-operatório
• Alta hospitalar precoce
• Retorno mais rápido às atividades
A maioria das dores nas costas melhora com tratamento conservador, mas quando persistem ou se associam a sintomas neurológicos, é fundamental procurar um neurocirurgião especializado em coluna.
O diagnóstico precoce, baseado em exames clínicos e de imagem, é essencial para evitar complicações e preservar a função neurológica. Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, considerando fatores como idade, comorbidades, estilo de vida e expectativa funcional do paciente.
Referências científicas:
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