A hérnia de disco é uma das causas mais frequentes de dor lombar e ciática, impactando a qualidade de vida de milhões de pessoas. Embora a maioria dos casos seja tratada com medidas clínicas, há situações em que a cirurgia se torna necessária para preservar a função neurológica e aliviar sintomas persistentes.
Como neurocirurgião, explico aqui os principais critérios médicos baseados em evidência para indicar o tratamento cirúrgico, especialmente em casos que não respondem ao manejo conservador.
Os discos intervertebrais atuam como amortecedores entre as vértebras da coluna. Quando ocorre uma fissura no anel fibroso e o núcleo gelatinoso extravasa, pode haver compressão das raízes nervosas, caracterizando a hérnia de disco. Isso pode provocar dor irradiada, formigamento, perda de força e, em casos mais graves, alterações neurológicas.
A cirurgia é reservada para situações específicas. Estudos mostram que cerca de 80% a 90% dos pacientes melhoram com tratamento conservador, que inclui fisioterapia, analgésicos, anti-inflamatórios e reabilitação. No entanto, a abordagem cirúrgica deve ser considerada quando ocorrem os seguintes fatores:
Quando o paciente apresenta dor intensa por mais de seis a oito semanas, mesmo após tratamento clínico adequado, a cirurgia pode ser indicada. A intervenção pode promover alívio mais rápido da dor e retorno à funcionalidade.
A perda de força muscular, dificuldade para sustentar objetos ou subir escadas, além de alterações de sensibilidade, indicam compressão nervosa significativa. Esses sintomas devem ser avaliados com urgência, pois podem evoluir se não tratados adequadamente.
Trata-se de uma emergência neurocirúrgica. Caracteriza-se por incontinência urinária ou fecal, anestesia em sela e fraqueza significativa nos membros inferiores. Nesses casos, a descompressão cirúrgica deve ser realizada o mais breve possível para evitar sequelas permanentes.
As técnicas atuais são cada vez mais precisas e menos invasivas. Procedimentos como microdiscectomia ou discectomia endoscópica permitem menores incisões, recuperação mais rápida e menos dor pós-operatória. A escolha da técnica dependerá do tipo e da localização da hérnia, bem como do quadro clínico do paciente.
Se você apresenta dor persistente, perda de força ou sintomas neurológicos relacionados à coluna, agende uma avaliação. Um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado fazem toda a diferença.
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