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Dr. Rodolfo Casimiro

Dr. Rodolfo Casimiro

Receber o diagnóstico de um tumor cerebral costuma ser um dos momentos mais desafiadores na vida de um paciente e de sua família. Além das dúvidas sobre a doença, surgem preocupações relacionadas ao tratamento, aos riscos envolvidos e às perspectivas para o futuro.

Nesse contexto, é importante compreender que a neurocirurgia oncológica vai muito além do ato cirúrgico.

O tratamento de tumores cerebrais envolve uma série de decisões complexas, que exigem análise cuidadosa das características da lesão, das condições clínicas do paciente e dos objetivos terapêuticos em cada etapa do processo.

Cada tumor cerebral é único

Os tumores cerebrais apresentam comportamentos muito diferentes entre si.

Alguns crescem lentamente e podem permanecer estáveis por longos períodos. Outros possuem comportamento mais agressivo e exigem tratamento rápido e multidisciplinar.

Por isso, a avaliação de um tumor cerebral envolve diversos fatores:

✓ Tipo do tumor

✓ Localização da lesão

✓ Tamanho e extensão

✓ Presença de sintomas neurológicos

✓ Idade e condições clínicas do paciente

✓ Perfil molecular e genético do tumor

A partir dessas informações, é possível definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada caso.

O papel da tecnologia na neurocirurgia moderna

Nas últimas décadas, a neurocirurgia passou por uma transformação significativa graças aos avanços tecnológicos.

Hoje, diversos recursos auxiliam no planejamento e na execução dos procedimentos, aumentando a segurança e a precisão cirúrgica.

Entre as principais tecnologias utilizadas estão:

✓ Neuronavegação intraoperatória

✓ Microscopia cirúrgica de alta definição

✓ Monitorização neurofisiológica intraoperatória

✓ Técnicas endoscópicas avançadas

✓ Planejamento tridimensional por ressonância magnética

Essas ferramentas permitem localizar o tumor com maior precisão, reduzir riscos e preservar funções neurológicas importantes sempre que possível.

Preservar a função é tão importante quanto remover o tumor

O objetivo do tratamento não é apenas retirar a lesão.

Em muitos casos, o desafio está em encontrar o equilíbrio entre a máxima ressecção tumoral possível e a preservação das funções neurológicas.

Estamos lidando com um órgão responsável por funções essenciais, como:

✓ Movimento

✓ Linguagem

✓ Memória

✓ Visão

✓ Comportamento

✓ Tomada de decisões

Por isso, cada milímetro importa.

A estratégia cirúrgica deve ser individualizada para minimizar riscos e maximizar a qualidade de vida após o tratamento.

O acompanhamento continua após a cirurgia

Muitas pessoas acreditam que o tratamento termina após a cirurgia. Na realidade, essa é apenas uma das etapas do cuidado.

Após o procedimento, podem ser necessários:

✓ Exames periódicos de controle

✓ Avaliação anatomopatológica detalhada

✓ Estudos moleculares do tumor

✓ Radioterapia

✓ Quimioterapia

✓ Reabilitação neurológica

✓ Seguimento multidisciplinar

O acompanhamento contínuo permite monitorar a resposta ao tratamento e identificar precocemente qualquer alteração que exija nova intervenção.

O valor do cuidado humanizado

Embora a tecnologia tenha revolucionado a neurocirurgia, ela não substitui aspectos fundamentais do cuidado médico.

Escutar o paciente, compreender suas preocupações, esclarecer dúvidas e estar presente durante todas as etapas do tratamento continuam sendo pilares essenciais da prática neurocirúrgica.

O tratamento de um tumor cerebral envolve não apenas exames e procedimentos, mas também acolhimento, confiança e construção de uma relação sólida entre médico, paciente e familiares.

Conclusão

A neurocirurgia oncológica moderna combina tecnologia avançada, conhecimento científico e cuidado individualizado.

O tratamento de tumores cerebrais exige planejamento cuidadoso, avaliação multidisciplinar e acompanhamento contínuo, sempre com o objetivo de oferecer a melhor estratégia para cada paciente.

Mais do que tratar uma doença, a missão é preservar funções neurológicas, qualidade de vida e bem-estar ao longo de toda a jornada terapêutica.

Referências Científicas

✓ Weller M, van den Bent M, Preusser M, et al. EANO guidelines on the diagnosis and treatment of diffuse gliomas. Nature Reviews Clinical Oncology. 2021;18(3):170-186.

✓ Stupp R, Brada M, van den Bent MJ, Tonn JC, Pentheroudakis G. High-grade glioma: ESMO Clinical Practice Guidelines. Annals of Oncology. 2014;25(Suppl 3):iii93-iii101.

✓ Sanai N, Berger MS. Glioma extent of resection and its impact on patient outcome. Neurosurgery. 2008;62(4):753-766.

✓ Hervey-Jumper SL, Berger MS. Maximizing safe resection of low- and high-grade glioma. Journal of Neuro-Oncology. 2016;130(2):269-282.

✓ Louis DN, Perry A, Wesseling P, et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System. Neuro-Oncology. 2021;23(8):1231-1251.

 


 

Dr. Rodolfo Casimiro – Neurocirurgião
Atuação em tumores cerebrais, hidrocefalia e doenças da coluna vertebral.

 

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Quinta, 18 Junho 2026 13:34

O que é um Abscesso Cerebral?

O abscesso cerebral é uma condição neurológica rara, porém potencialmente grave. Trata-se de uma infecção localizada dentro do cérebro que leva à formação de uma cavidade preenchida por pus, resultado da resposta do organismo à presença de bactérias, fungos ou outros microrganismos.

Embora seja incomum, o abscesso cerebral representa uma emergência médica e neurocirúrgica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir o risco de sequelas neurológicas permanentes e complicações potencialmente fatais.

Como ocorre um abscesso cerebral?

O cérebro possui mecanismos de proteção altamente eficientes contra infecções. No entanto, em determinadas situações, microrganismos podem ultrapassar essas barreiras e atingir o tecido cerebral.

Quando isso acontece, o organismo desencadeia uma intensa resposta inflamatória, formando uma cápsula ao redor da infecção. O resultado é o desenvolvimento de um abscesso, que pode crescer progressivamente e exercer efeito de massa sobre estruturas cerebrais importantes.

Além da infecção em si, o aumento da pressão intracraniana provocado pela lesão pode representar um risco significativo para o paciente.

Quais são as principais causas?

 

As causas mais frequentes incluem:

 

✓ Infecções dos seios da face (sinusites)
✓ Infecções do ouvido médio e mastoide
✓ Infecções pulmonares
✓ Endocardite infecciosa
✓ Traumatismos cranianos
✓ Cirurgias neurológicas prévias
✓ Estados de imunossupressão

 


 

Quais são os sintomas?

 

Os sinais mais comuns incluem:

 

✓ Dor de cabeça persistente e progressiva
✓ Febre
✓ Náuseas e vômitos
✓ Sonolência
✓ Confusão mental
✓ Alterações do comportamento
✓ Convulsões
✓ Fraqueza em braços ou pernas
✓ Alterações da fala
✓ Distúrbios visuais

 


 

Qual é o tratamento?

 

A abordagem geralmente envolve:

 

Antibioticoterapia intravenosa

 

Antibióticos de amplo espectro são iniciados imediatamente e posteriormente ajustados conforme os resultados microbiológicos.

 

O tratamento costuma ser prolongado, frequentemente com duração de várias semanas.

 

Tratamento cirúrgico

 

Em muitos casos, a cirurgia é necessária para:

 

✓ Drenar o conteúdo purulento
✓ Reduzir a pressão intracraniana
✓ Obter material para análise microbiológica
✓ Controlar infecções que não respondem adequadamente ao tratamento clínico

 


 

Referências Científicas

 

✓ Brouwer MC, Coutinho JM, van de Beek D. Clinical characteristics and outcome of brain abscess: systematic review and meta-analysis. Neurology. 2014;82(9):806-813.

 

✓ Nathoo N, Nadvi SS, Narotam PK, van Dellen JR. Brain abscess: management and outcome analysis of a computed tomography era experience with 973 patients. World Neurosurgery. 2011;75(5-6):716-726.

 

✓ Helweg-Larsen J, Astradsson A, Richhall H, Erdal J, Laursen A, Brennum J. Pyogenic brain abscess, a 15 year survey. BMC Infectious Diseases. 2012;12:332.

 

✓ Moorthy RK, Rajshekhar V. Management of brain abscess: an overview. Neurosurgical Focus. 2008;24(6):E3.

 

✓ Patel K, Clifford DB. Bacterial brain abscess. Neurohospitalist. 2014;4(4):196-204.

 


 

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A dor de cabeça é uma das queixas neurológicas mais comuns na população. Na maioria das vezes, está relacionada a condições benignas, como enxaqueca, cefaleia tensional, estresse, privação de sono ou alterações musculares.

No entanto, algumas características da dor merecem atenção especial. Uma delas é a cefaleia que desperta o paciente durante a noite ou que está presente logo ao acordar pela manhã.

Embora nem sempre indique uma doença grave, esse padrão pode estar associado a alterações neurológicas que exigem investigação médica.

Nem toda dor de cabeça é igual

As cefaleias primárias, como a enxaqueca e a cefaleia tensional, costumam ocorrer sem uma causa estrutural no cérebro. Já as cefaleias secundárias são consequência de uma condição subjacente, como tumores, infecções, alterações vasculares ou aumento da pressão intracraniana.

É justamente nesse grupo que se encontram algumas das dores de cabeça que despertam o paciente durante o sono.

Por que a dor pode piorar durante a noite ou ao despertar?

Algumas doenças neurológicas podem provocar aumento da pressão dentro do crânio. Durante o período de sono, determinadas alterações fisiológicas podem intensificar esse aumento de pressão, fazendo com que o paciente acorde devido à dor ou perceba os sintomas de forma mais intensa nas primeiras horas da manhã.

Nesses casos, a cefaleia pode apresentar características específicas:

▸ Dor progressiva ao longo das semanas ou meses
▸ Intensidade maior ao despertar
▸ Piora ao tossir, espirrar ou fazer esforço
▸ Associação com náuseas e vômitos
▸ Melhora parcial após levantar-se da cama

Esses sinais justificam uma avaliação médica mais detalhada.

Sinais de alerta que merecem investigação

Algumas manifestações associadas à dor de cabeça aumentam a suspeita de uma causa neurológica secundária.

Entre os principais sinais de alerta estão:

▸ Cefaleia progressivamente mais intensa
▸ Náuseas e vômitos sem explicação gastrointestinal
▸ Alterações visuais, como visão dupla ou embaçada
▸ Sonolência excessiva
▸ Confusão mental
▸ Convulsões
▸ Fraqueza em braços ou pernas
▸ Alterações da fala
▸ Perda de sensibilidade em parte do corpo
▸ Mudanças cognitivas ou comportamentais recentes

A presença de um ou mais desses sintomas não significa necessariamente uma doença grave, mas reforça a necessidade de investigação.

Quais doenças podem estar associadas?

Diversas condições neurológicas podem causar cefaleias que despertam o paciente durante a noite.

Tumores cerebrais

Dependendo do tamanho e da localização, os tumores podem provocar aumento da pressão intracraniana e desencadear dores de cabeça progressivas, frequentemente associadas a sintomas neurológicos adicionais.

Hidrocefalia

A hidrocefalia ocorre quando há acúmulo excessivo de líquor dentro do cérebro. O aumento da pressão intracraniana pode gerar cefaleias, náuseas, alterações cognitivas e desequilíbrio.

Hipertensão intracraniana

A hipertensão intracraniana idiopática ou secundária a outras doenças também pode provocar dor de cabeça intensa, alterações visuais e papiledema.

Lesões vasculares

Algumas alterações vasculares cerebrais, incluindo malformações e aneurismas específicos, podem estar associadas a cefaleias persistentes ou progressivas.

Infecções do sistema nervoso central

Meningites, encefalites e abscessos cerebrais podem cursar com dor de cabeça intensa, febre e alterações neurológicas.

Como é feita a investigação?

A avaliação começa com uma história clínica detalhada e um exame neurológico completo.

Dependendo das características da cefaleia e dos sintomas associados, podem ser solicitados exames complementares, como:

▸ Ressonância magnética do encéfalo
▸ Tomografia computadorizada
▸ Avaliação oftalmológica
▸ Exames laboratoriais
▸ Punção lombar em situações específicas

O objetivo é identificar ou descartar causas estruturais que exijam tratamento específico.

Quando procurar um neurocirurgião?

A avaliação neurocirúrgica é recomendada quando existe suspeita de uma condição estrutural envolvendo o cérebro, como tumores, hidrocefalia, lesões vasculares ou outras alterações identificadas nos exames de imagem.

O papel do neurocirurgião é definir a causa dos sintomas, orientar a investigação adequada e indicar o tratamento mais apropriado para cada situação.

Conclusão

Acordar durante a noite por causa de uma dor de cabeça ou apresentar cefaleia persistente ao despertar não significa necessariamente a presença de uma doença grave. Entretanto, quando esse sintoma surge de forma progressiva ou está associado a alterações neurológicas, merece atenção especializada.

O diagnóstico precoce permite identificar condições potencialmente tratáveis antes que ocorram complicações mais importantes.

Em neurologia e neurocirurgia, reconhecer os sinais de alerta pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do paciente.

Referências Científicas

▸ Dodick DW. Clinical clues and clinical rules: approach to accurate diagnosis of headache. Neurology. 2003;61(6 Suppl 4):S3-S7.

▸ Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211.

▸ Friedman DI, Liu GT, Digre KB. Revised diagnostic criteria for idiopathic intracranial hypertension. Neurology. 2013;81(13):1159-1165.

▸ Wijdicks EFM. Neurologic complications of increased intracranial pressure. Continuum (Minneap Minn). 2018;24(5):1283-1304.

▸ Olesen J, Bendtsen L, Dodick D, et al. Secondary headaches: red flags and diagnosis. Lancet Neurology. 2023;22(3):241-254.

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A dor lombar é uma das queixas médicas mais comuns em todo o mundo e representa uma das principais causas de afastamento do trabalho e redução da qualidade de vida. Embora muitas vezes seja autolimitada e relacionada a fatores musculares ou posturais, em alguns casos ela pode estar associada a alterações estruturais da coluna ou compressões nervosas que exigem avaliação especializada.

Entender a origem da dor é fundamental para definir o tratamento mais adequado. Entre as causas mais frequentes estão a ciatalgia, a lombalgia mecânica e a síndrome do piriforme.

Ciatalgia: quando o nervo ciático é comprimido

A ciatalgia, popularmente conhecida como “dor no nervo ciático”, ocorre quando há compressão ou irritação do nervo ciático ou de suas raízes na coluna lombar.

Esse quadro geralmente provoca uma dor que se inicia na região lombar e se irradia para o glúteo, coxa e, em alguns casos, até o pé. Além da dor, podem ocorrer formigamento, dormência ou fraqueza na perna.

Entre as causas mais comuns estão:

+ Hérnia de disco lombar

+ Estenose do canal vertebral

+ Espondilolistese

+ Alterações degenerativas da coluna

Quando há compressão significativa da raiz nervosa, a dor tende a ser intensa e pode limitar atividades simples do dia a dia.

Lombalgia: a dor localizada na parte baixa das costas

A lombalgia refere-se à dor localizada na região inferior da coluna. Muitas vezes surge de forma súbita após esforço físico, levantamento de peso, movimentos bruscos ou má postura prolongada.

Na maioria das situações, a lombalgia está relacionada a distensões musculares ou sobrecarga mecânica da coluna. Esses casos geralmente respondem bem a medidas conservadoras, como repouso relativo, medicação e fisioterapia.

No entanto, quando a dor persiste por semanas, piora progressivamente ou vem acompanhada de sintomas neurológicos, é importante investigar causas estruturais mais complexas.

Síndrome do Piriforme: uma causa menos conhecida

A síndrome do piriforme ocorre quando o músculo piriforme, localizado na região profunda do glúteo, comprime ou irrita o nervo ciático.

Esse quadro pode gerar dor semelhante à ciatalgia causada por hérnia de disco, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico inicial. A dor costuma se concentrar no glúteo e pode irradiar para a parte posterior da coxa.

O tratamento costuma envolver fisioterapia específica, alongamentos, medicações e, em alguns casos, infiltrações terapêuticas.

Onde entra o neurocirurgião?

O papel do neurocirurgião não é apenas realizar cirurgias, mas principalmente identificar a causa da dor e orientar o tratamento adequado para cada paciente.

A avaliação especializada torna-se essencial quando surgem sinais como:

+ Dor persistente ou progressiva

+ Irradiação da dor para a perna

+ Formigamento ou perda de sensibilidade

+ Fraqueza muscular

+ Limitação funcional importante

A partir da história clínica, exame neurológico e exames de imagem — como a ressonância magnética — é possível determinar se existe compressão neural ou outra alteração estrutural da coluna.

Tratamento: nem sempre é cirurgia

A maioria dos pacientes melhora com tratamento conservador. Dependendo do diagnóstico, as opções terapêuticas podem incluir:

+ Medicação analgésica e anti-inflamatória

+ Fisioterapia direcionada

+ Infiltrações terapêuticas guiadas por imagem

+ Mudanças posturais e fortalecimento muscular

A cirurgia é considerada apenas quando há compressão nervosa significativa, dor incapacitante que não melhora com tratamento conservador ou déficit neurológico progressivo.

Atualmente, muitas intervenções podem ser realizadas por técnicas minimamente invasivas, que reduzem o trauma cirúrgico, o tempo de internação e o período de recuperação.

Conclusão

Nem toda dor lombar é igual, e compreender sua origem é o primeiro passo para um tratamento eficaz. A avaliação adequada permite diferenciar dores musculares benignas de condições que envolvem compressão nervosa ou alterações estruturais da coluna.

Quando a dor persiste ou apresenta sinais de alerta, procurar avaliação especializada pode evitar a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

 


 

Referências

1. Deyo RA, Mirza SK, Martin BI. Back pain prevalence and visit rates: estimates from U.S. national surveys. Spine. 2006;31(23):2724–2727.

2. Kreiner DS, Hwang SW, Easa JE et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. Spine Journal. 2014;14(1):180–191.

3. Stafford MA, Peng P, Hill DA. Sciatica: a review of history, epidemiology, pathogenesis, and the role of epidural steroid injection in management. British Journal of Anaesthesia. 2007;99(4):461–473.

4. Hopayian K, Song F, Riera R, Sambandan S. The clinical features of the piriformis syndrome: a systematic review. European Spine Journal. 2010;19(12):2095–2109.

5. Genevay S, Atlas SJ. Lumbar spinal stenosis. Best Practice & Research Clinical Rheumatology. 2010;24(2):253–265.

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A hidrocefalia é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquor (líquido cefalorraquidiano) nos ventrículos cerebrais, levando ao aumento da pressão intracraniana e à compressão das estruturas do sistema nervoso central. Pode ocorrer em diferentes contextos clínicos — desde a infância até a terceira idade — e exige avaliação especializada.

Quando o diagnóstico é estabelecido, cada detalhe importa. A escolha do tipo de válvula, o momento da cirurgia e o acompanhamento pós-operatório influenciam diretamente os resultados.

O papel da válvula no tratamento da hidrocefalia

O tratamento cirúrgico mais comum é a implantação de um sistema de derivação ventricular, que drena o excesso de líquor para outra parte do corpo, geralmente a cavidade abdominal (derivação ventrículo-peritoneal).

Tradicionalmente, as válvulas possuíam pressão fixa. No entanto, a resposta ao tratamento varia de paciente para paciente. Drenagem insuficiente pode manter os sintomas; drenagem excessiva pode causar complicações, como cefaleia postural, hematomas subdurais ou colapso ventricular.

É nesse contexto que a válvula programável representa um avanço significativo.

O que é a válvula programável?

A válvula programável permite ajustar externamente a pressão de abertura do sistema, sem necessidade de nova cirurgia. Utilizando um dispositivo magnético específico, o neurocirurgião pode regular o fluxo de drenagem conforme a evolução clínica e radiológica do paciente.

Essa possibilidade de ajuste fino transforma o tratamento em um processo mais personalizado e dinâmico.

Por que isso é importante?

Nem todo cérebro responde da mesma forma ao desvio do líquor. Pacientes com:

  • Hidrocefalia de pressão normal (HPN)

  • Hidrocefalia secundária a hemorragias ou infecções

  • Hipertensão intracraniana idiopática

frequentemente se beneficiam dessa flexibilidade terapêutica.

A válvula programável permite adaptar o tratamento às necessidades individuais, oferecendo maior controle de sintomas como alterações de marcha, déficit cognitivo, cefaleia e distúrbios urinários.

Segurança e acompanhamento

O acompanhamento periódico é fundamental. Avaliação clínica detalhada, exames de imagem e monitoramento dos sintomas orientam possíveis ajustes na programação da válvula.

A tecnologia, quando associada a uma conduta médica criteriosa, aumenta a segurança e reduz complicações relacionadas à hiperdrenagem ou subdrenagem.

Conclusão

A válvula programável representa um avanço importante no tratamento da hidrocefalia, permitindo uma abordagem individualizada e ajustável ao longo do tempo.

O objetivo permanece o mesmo: aliviar a pressão intracraniana com precisão, preservar funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Se você ou um familiar recebeu o diagnóstico de hidrocefalia, a avaliação com um neurocirurgião experiente é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica.

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Referências científicas

  1. Kazui H, Miyajima M, Mori E, Ishikawa M. Lumboperitoneal shunt surgery for idiopathic normal pressure hydrocephalus (SINPHONI-2). Lancet Neurology. 2015.

  2. Toma AK, Papadopoulos MC, Stapleton S, Kitchen ND, Watkins LD. Systematic review of the outcome of shunt surgery in normal-pressure hydrocephalus. Acta Neurochirurgica. 2013.

  3. Lemcke J, Meier U, Müller C, Fritsch MJ. Safety and efficacy of gravitational shunt valves in patients with idiopathic normal-pressure hydrocephalus. Journal of Neurosurgery. 2013.

  4. Halperin JJ, Kurlan R, Schwalb JM, Cusimano MD. Practice guideline: Idiopathic normal pressure hydrocephalus. Neurology. 2015.

  5. Bateman GA. The pathophysiology of idiopathic normal pressure hydrocephalus: Cerebral ischemia or altered venous hemodynamics? AJNR American Journal of Neuroradiology. 2008.
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A cranioplastia é um procedimento neurocirúrgico realizado para reconstruir uma parte do crânio que foi previamente removida. Essa remoção, chamada de craniectomia, pode ser necessária em diversas situações, como traumas cranianos graves, cirurgias de emergência para descompressão cerebral, infecções ou remoção de tumores que comprometem o osso craniano.

Embora inicialmente pareça apenas uma cirurgia reconstrutiva, a cranioplastia envolve mais do que a estética: ela desempenha papel importante na proteção neurológica, melhora de sintomas clínicos e recuperação funcional do paciente.

 


 

Quando a Cranioplastia é Indicada?

A reconstrução do crânio é recomendada principalmente nos seguintes cenários:

  • Traumatismo craniano grave, com fratura complexa ou afundamento ósseo

  • Craniectomia descompressiva anterior (por edema cerebral, AVC ou hemorragia intracraniana)

  • Infecções que afetaram o osso (como osteomielite pós-operatória)

  • Ressecção de tumores que envolvem o osso craniano

  • Deformidades congênitas ou sequelas pós-cirúrgicas

O momento ideal para a realização da cranioplastia varia de caso a caso. Em geral, espera-se um período de 6 semanas a 6 meses após a cirurgia inicial, quando não há sinais de infecção ou hipertensão intracraniana residual.

 


 

Por que realizar a Cranioplastia?

Além de devolver a forma anatômica do crânio, a cranioplastia pode ter impacto funcional significativo:

  • Redução de cefaleias crônicas

  • Melhora da pressão intracraniana e circulação do líquor

  • Melhora do fluxo sanguíneo cerebral regional

  • Redução de déficits neurológicos residuais (inclusive sintomas cognitivos ou motores)

  • Proteção mecânica do cérebro (prevenção de novos traumas locais)

Esse conjunto de sintomas é conhecido na literatura como Síndrome do Osso Afundado (“syndrome of the trephined”), uma condição muitas vezes reversível após a reconstrução craniana.

 


 

Como a Cranioplastia é Realizada?

O procedimento consiste em reabrir o local da craniectomia, preparar os bordos ósseos e fixar o novo implante. Existem duas abordagens principais:

  1. Reposição do próprio osso (crioarmazenado após a craniectomia)

  2. Uso de materiais sintéticos biocompatíveis, como:

    • Titânio (durável, moldável, ideal para grandes defeitos)

    • PEEK (polieteretercetona) (material plástico leve e resistente, com ótimo resultado estético)

    • PMMA (acrílico) (usado em moldagens personalizadas ou intraoperatórias)

A escolha do material depende de fatores como:

  • Tempo desde a cirurgia original

  • Presença ou não de infecção prévia

  • Tamanho e localização do defeito

  • Condições clínicas do paciente

 


 

Resultados e Riscos

A taxa de sucesso da cranioplastia é elevada, especialmente quando bem indicada e em centros com experiência. Entre os principais riscos estão:

  • Infecção da prótese

  • Hematomas

  • Necessidade de nova intervenção

A técnica tem avançado com planejamento virtual 3D, que permite moldes personalizados e melhor adaptação dos implantes, com menor tempo cirúrgico e maior precisão.

 


 

Considerações Finais

A cranioplastia vai além da reconstrução estética. Quando bem indicada, ela pode restabelecer a função neurológica, reduzir sintomas incapacitantes e devolver proteção e confiança ao paciente.

Cada decisão deve ser individualizada, levando em conta riscos, benefícios e expectativas. O acompanhamento com um neurocirurgião experiente é fundamental para garantir segurança e bons resultados.

 


 

Referências:

  1. Winkler PA, Stummer W, Linke R, Krishnan KG, Tatsch K. Influence of cranioplasty on postural blood flow regulation, cerebrovascular reserve capacity, and cerebral glucose metabolism. J Neurosurg. 2000;93(1):53-61. doi:10.3171/jns.2000.93.1.0053

  2. Gooch MR, Gin GE, Kenning TJ, German JW. Complications of cranioplasty following decompressive craniectomy: analysis of 62 cases. Neurosurg Focus. 2009;26(6):E9. doi:10.3171/2009.4.FOCUS0995

  3. Zanaty M, Chalouhi N, Starke RM, et al. Complications following cranioplasty: incidence and predictors in 348 cases. J Neurosurg. 2015;123(1):182-188. doi:10.3171/2014.10.JNS14471

 


 

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O meduloblastoma é um tumor cerebral maligno que se origina na fossa posterior do crânio, mais especificamente no cerebelo — região responsável por funções motoras finas, equilíbrio e coordenação. Apesar de ser mais comum em crianças, também pode acometer adultos, exigindo uma abordagem diferenciada e altamente especializada.

Nos últimos anos, os avanços da neurocirurgia permitiram melhorias significativas na segurança e eficácia do tratamento cirúrgico deste tipo de tumor. A cirurgia continua sendo o primeiro passo do tratamento, e a remoção completa do tumor é um dos principais fatores prognósticos.

Tecnologias que revolucionaram a neurocirurgia

Neuronavegação cirúrgica
Funciona como um “GPS” durante o procedimento, permitindo ao neurocirurgião planejar com precisão o trajeto até o tumor e orientar a ressecção, respeitando estruturas críticas adjacentes.

Microscopia cirúrgica de alta definição
Garante aumento da imagem e iluminação intensa das estruturas neurológicas, possibilitando uma dissecção mais segura e detalhada.

Monitoramento neurofisiológico intraoperatório
Monitora em tempo real as vias neurológicas motoras, sensitivas e auditivas, principalmente quando o tumor está próximo ao tronco encefálico. Essa técnica reduz o risco de sequelas neurológicas permanentes.

Ressonância magnética intraoperatória (em centros de referência)
Permite verificar ainda durante a cirurgia se a remoção foi completa, aumentando as chances de ressecção total e reduzindo a necessidade de reoperações.

A importância de uma abordagem multidisciplinar

Embora a cirurgia seja o primeiro passo, o tratamento completo do meduloblastoma envolve:

  • Quimioterapia (em especial em pacientes pediátricos)

  • Radioterapia craniospinal

  • Reabilitação neurológica, fonoaudiológica e fisioterápica

Além disso, fatores como o subtipo molecular do tumor, idade do paciente, extensão da doença e presença de metástases influenciam diretamente na conduta terapêutica e no prognóstico.

Conclusão

O meduloblastoma é uma condição desafiadora, mas tratável. A integração entre tecnologia cirúrgica avançada, decisões clínicas individualizadas e apoio multidisciplinar tem proporcionado melhores resultados e maior qualidade de vida aos pacientes.

Na prática neurocirúrgica, o conhecimento técnico é essencial — mas o cuidado humanizado com cada paciente e sua família permanece como base de todo o tratamento.

 


 

Referências:

 

  1. Millard NE, De Braganca KC. Medulloblastoma. J Child Neurol. 2016;31(12):1341–1353.

  2. Juraschka K, Taylor MD. Medulloblastoma in the age of molecular subgroups: a review. J Neurosurg Pediatr. 2019;24(4):353–363.

  3. Packer RJ, Pfister SM, Bouffet E. Pediatric Medulloblastoma: Current Therapies, Emerging Molecular Landscape and Future Directions. Nat Rev Clin Oncol. 2017;14(6):347–359.

  4. Smith MJ, et al. Surgical Strategies in the Management of Medulloblastoma. Neurosurg Clin N Am. 2020;31(2):245–254.

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Quinta, 11 Dezembro 2025 16:19

Avanços no Tratamento dos Meningiomas

Introdução
Os meningiomas são os tumores intracranianos mais comuns, representando cerca de 30% dos tumores cerebrais primários. Em sua maioria, são lesões benignas, de crescimento lento, originadas nas meninges — as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Apesar de seu comportamento geralmente indolente, meningiomas podem causar sintomas significativos dependendo da sua localização e tamanho, como cefaleia, déficits neurológicos, alterações visuais e convulsões.

Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos e científicos transformaram profundamente a abordagem diagnóstica e terapêutica desses tumores. Hoje, o tratamento é cada vez mais personalizado, seguro e eficaz.

 


 

1. Diagnóstico de Alta Precisão
A tomografia computadorizada (TC) e, principalmente, a ressonância magnética (RM) com contraste são os principais exames para diagnóstico e planejamento cirúrgico. Além disso, o uso de imagens funcionais, como a RM funcional e o Tractography (DTI), auxilia na identificação de áreas eloquentes do cérebro, permitindo intervenções mais seguras.

A classificação molecular dos meningiomas também vem ganhando espaço, oferecendo novas perspectivas sobre comportamento tumoral, risco de recidiva e resposta ao tratamento adjuvante.

 


 

2. Cirurgia com Tecnologia de Ponta
A cirurgia continua sendo o tratamento de escolha para a maioria dos meningiomas sintomáticos ou em crescimento. A principal meta é a remoção completa do tumor com o mínimo risco para o paciente.

Para isso, técnicas como:

  • Neuronavegação (um “GPS cirúrgico” que guia a remoção com base em imagens tridimensionais),

  • Microscopia cirúrgica de alta definição,

  • Monitoramento neurofisiológico intraoperatório (para preservar áreas críticas de função motora, linguagem ou visão),

  • Aspiração ultrassônica (que fragmenta o tumor com segurança)

têm se tornado padrão em centros de referência. Esses recursos permitem cirurgias mais precisas e seguras, especialmente para tumores em áreas de difícil acesso, como base do crânio.

 


 

3. Radiocirurgia e Radioterapia
Em casos de meningiomas pequenos, de crescimento lento ou localizados em regiões de risco cirúrgico, a radiocirurgia estereotáxica (como o Gamma Knife ou o CyberKnife) é uma excelente opção. Ela oferece controle local do tumor com mínima agressão aos tecidos ao redor.

Já a radioterapia fracionada pode ser indicada como tratamento adjuvante em casos de ressecção incompleta ou em tumores atípicos (grau II) ou anaplásicos (grau III).

 


 

4. Terapias Sistêmicas e Perspectivas Futuras
Embora os meningiomas de baixo grau geralmente não requeiram tratamento sistêmico, estudos clínicos recentes têm investigado o uso de terapias-alvo e imunoterapia para casos mais agressivos ou recorrentes.

Alguns dos alvos moleculares em investigação incluem receptores de progesterona, AKT/mTOR e vias epigenéticas. Apesar dos avanços, essas abordagens ainda são experimentais e não fazem parte do tratamento de rotina.

 


 

5. Acompanhamento e Qualidade de Vida
O seguimento regular com exames de imagem é essencial para detectar possíveis recidivas, especialmente em casos de ressecção incompleta ou tumores com características agressivas. Além disso, a reabilitação multidisciplinar (neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia) desempenha papel fundamental na recuperação funcional do paciente.

 


 

Conclusão
O tratamento dos meningiomas evoluiu significativamente, com recursos tecnológicos que permitem maior segurança, precisão e preservação das funções neurológicas. A decisão entre operar, observar ou usar radioterapia deve ser individualizada, levando em conta fatores como o tipo de tumor, localização, sintomas e saúde geral do paciente.

A neurocirurgia moderna alia ciência de ponta ao cuidado humano — e, nesse contexto, os avanços no manejo dos meningiomas são um exemplo claro de como o conhecimento transforma vidas.

 


 

Referências científicas:

  1. Louis DN et al. WHO Classification of Tumours of the Central Nervous System, 5th Edition. IARC, 2021.

  2. Goldbrunner R et al. EANO guidelines for the diagnosis and treatment of meningiomas. Lancet Oncol. 2016.

  3. Patel AJ et al. The role of surgery, radiotherapy and systemic therapies in the management of meningiomas. Nat Rev Neurol. 2022.

  4. Wang YC et al. Advances in molecular biology of meningiomas: Implications for diagnosis and treatment. Front Oncol. 2021.

Kondziolka D et al. The Role of Radiosurgery in Meningiomas. Neurosurgery. 2020.

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Os tumores cerebrais representam uma condição neurológica desafiadora, tanto pelo seu impacto funcional quanto pela complexidade do diagnóstico. Embora algumas lesões possam ser assintomáticas no início, existem sinais de alerta que não devem ser ignorados — especialmente se ocorrem de forma progressiva ou sem causa aparente.

Principais sintomas de alerta para tumores cerebrais

Os sintomas variam de acordo com o tipo, o tamanho e a localização do tumor no sistema nervoso central, mas os mais frequentes incluem:

Cefaleia persistente: dores de cabeça que pioram ao longo do tempo, especialmente pela manhã ou que acordam o paciente à noite. Em muitos casos, essas dores não respondem bem a analgésicos comuns.

Crises convulsivas de início recente: uma convulsão em um adulto previamente saudável sempre merece investigação neurológica.

Alterações visuais: visão dupla, borrada ou perda de campo visual, especialmente se associadas a outros sintomas.

Déficits neurológicos focais: como perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade de fala, desequilíbrio ou alterações cognitivas (memória, raciocínio, linguagem).

Náuseas e vômitos de repetição, especialmente pela manhã, podem ser indício de aumento da pressão intracraniana.

Mudanças de comportamento ou personalidade, especialmente se percebidas por familiares, podem estar associadas a tumores em regiões frontais ou temporais.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é fundamental para oferecer opções terapêuticas menos invasivas e melhorar o prognóstico do paciente. Avanços na neuroimagem, como ressonância magnética com contraste, permitem identificar tumores ainda em estágios iniciais, o que impacta diretamente na conduta cirúrgica e no planejamento terapêutico.

Além disso, tecnologias como neuronavegação, microscopia cirúrgica, monitoramento neurofisiológico intraoperatório e cirurgia minimamente invasiva têm ampliado a segurança dos procedimentos, permitindo maior ressecção tumoral com menor risco de sequelas.

Quando procurar um neurocirurgião?

Se você (ou alguém próximo) apresenta um ou mais dos sintomas descritos acima, especialmente de forma progressiva, é recomendável consultar um neurologista ou diretamente um neurocirurgião com experiência em tumores cerebrais.

Vale lembrar que nem toda lesão no cérebro é maligna, e muitas vezes, o diagnóstico precoce permite tratamentos mais conservadores ou cirurgias curativas com preservação da função neurológica.

O cérebro é um órgão sensível, e cada segundo conta quando falamos em função cognitiva, motora e qualidade de vida.

Conclusão

O acompanhamento com um neurocirurgião experiente pode fazer toda a diferença no desfecho de um tumor cerebral. Diagnóstico precoce, avaliação individualizada e abordagem multidisciplinar são os pilares de um tratamento eficaz e seguro.

 


 

Referências científicas:

  1. Louis DN, et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: A summary. Neuro-Oncology. 2021. doi:10.1093/neuonc/noab106

  2. Sanai N, Berger MS. Surgical oncology for gliomas: The state of the art. Nat Rev Clin Oncol. 2018;15(2):112-125.

  3. Weller M, et al. EANO guidelines on the diagnosis and treatment of diffuse gliomas of adulthood. Nat Rev Clin Oncol. 2021;18:170–186.

  4. Duffau H. Stimulation mapping of white matter tracts to study brain functional connectivity. Nat Rev Neurol. 2015;11(5):255–265.

De Witt Hamer PC, et al. Impact of intraoperative stimulation brain mapping on glioma surgery outcome: a meta-analysis. J Clin Oncol. 2012;30(20):2559–2565.

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A dor nas costas é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos e, em grande parte dos casos, está relacionada a causas benignas e autolimitadas, como distensões musculares ou má postura. No entanto, quando essa dor persiste, se intensifica ou se associa a outros sintomas neurológicos, pode sinalizar um problema estrutural mais grave que exige avaliação especializada — e, em alguns casos, cirurgia.

Nesta reportagem, abordaremos as principais causas de dor lombar e cervical de origem estrutural, destacando quando a intervenção cirúrgica se torna necessária e quais são os avanços atuais da neurocirurgia da coluna.

 


 

Hérnia de Disco: Quando o Disco Pressiona o Nervo

A hérnia de disco ocorre quando o núcleo pulposo do disco intervertebral extravasa e comprime estruturas nervosas próximas, como as raízes da medula espinhal. Pode surgir tanto na coluna lombar (mais comum) quanto na cervical.

Sintomas principais:

• Dor irradiada (ciatalgia ou braquialgia)
• Formigamento e dormência nos braços ou pernas
• Fraqueza muscular
• Dificuldade para caminhar ou realizar movimentos finos

Quando operar?
O tratamento inicial é clínico, com fisioterapia e medicamentos. A cirurgia está indicada em casos de dor incapacitante persistente por mais de 6 a 8 semanas, falha do tratamento conservador ou presença de déficit neurológico progressivo.

 


 

Estenose de Canal Vertebral: O Canal Está Apertado

A estenose do canal vertebral é o estreitamento do espaço por onde passa a medula ou as raízes nervosas. Geralmente acomete idosos, sendo causada por artrose, hipertrofia de ligamentos e protrusão discal.

Sintomas principais:

• Dor nas pernas ao caminhar (claudicação neurogênica)
• Alívio da dor ao sentar ou inclinar o corpo para frente
• Fraqueza e formigamento
• Redução da mobilidade

Quando operar?
Em casos de limitação funcional severa e falha do tratamento conservador, a cirurgia descompressiva melhora a qualidade de vida e pode devolver a autonomia do paciente.

 


 

Espondilolistese: Uma Vértebra Escorregou

A espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre a outra, podendo causar compressão dos nervos e instabilidade da coluna. É mais comum na região lombar e pode ser congênita, degenerativa ou traumática.

Sintomas principais:

• Dor lombar persistente
• Irradiação para as pernas
• Sensação de “travamento” da coluna
• Instabilidade ao caminhar

Quando operar?
A cirurgia está indicada quando há instabilidade confirmada por exames, dor refratária ou sintomas neurológicos progressivos. A artrodese (fusão vertebral) é frequentemente utilizada nesses casos.

 


 

Cirurgia Minimamente Invasiva: Menos Dor, Mais Recuperação

Com os avanços da neurocirurgia, muitas dessas condições podem ser tratadas por técnicas minimamente invasivas, como microdiscectomia, endoscopia de coluna e descompressão tubular. Essas abordagens oferecem:

• Menor incisão
• Menos dor no pós-operatório
• Alta hospitalar precoce
• Retorno mais rápido às atividades

 


 

Conclusão: Nem Toda Dor Leva à Cirurgia — Mas Algumas Precisam

A maioria das dores nas costas melhora com tratamento conservador, mas quando persistem ou se associam a sintomas neurológicos, é fundamental procurar um neurocirurgião especializado em coluna.

O diagnóstico precoce, baseado em exames clínicos e de imagem, é essencial para evitar complicações e preservar a função neurológica. Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, considerando fatores como idade, comorbidades, estilo de vida e expectativa funcional do paciente.

 


 

Referências científicas:

  1. Deyo RA, Mirza SK, Martin BI. Back Pain Prevalence and Visit Rates: Estimates from U.S. National Surveys, 2002. Spine. 2006;31(23):2724-2727.

  2. Kreiner DS, et al. Guideline Summary Review: An Evidence-Based Clinical Guideline for the Diagnosis and Treatment of Lumbar Disc Herniation with Radiculopathy. Spine J. 2014;14(1):180-191.

  3. Resnick DK, et al. Guidelines for the Performance of Fusion Procedures for Degenerative Disease of the Lumbar Spine. Part 2: Assessment of Functional Outcome. J Neurosurg Spine. 2005;2(6):639–646.

  4. Mummaneni PV, et al. Minimally Invasive Surgery for Spinal Deformity: An Overview. Neurosurg Focus. 2010;28(3):E1.

Epstein NE. A Review of Complication Rates for Anterior Cervical Diskectomy and Fusion (ACDF). Surg Neurol Int. 2019;10:100.

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