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Dr. Rodolfo Casimiro

Dr. Rodolfo Casimiro

 Os cavernomas, também conhecidos como malformações cavernosas cerebrais, são lesões vasculares benignas formadas por capilares dilatados e de paredes finas, que se agrupam de forma anômala no tecido cerebral. Embora possam ocorrer em qualquer região do sistema nervoso central, sua presença no tronco encefálico representa um desafio particular à neurocirurgia — tanto pelo risco elevado de sangramento quanto pela delicada anatomia local.

O que é o tronco encefálico?

O tronco encefálico é uma região crítica do cérebro que conecta o cérebro propriamente dito à medula espinhal. Ele abriga núcleos de nervos cranianos, centros vitais responsáveis pela respiração, frequência cardíaca e consciência, além de vias motoras e sensitivas essenciais. Por isso, qualquer intervenção cirúrgica nessa área exige um equilíbrio entre eficácia terapêutica e segurança funcional.

 


 

Sintomas do cavernoma no tronco encefálico

Cavernomas nessa região podem permanecer assintomáticos por anos ou provocar sintomas progressivos e debilitantes, como:

  • Paralisias de nervos cranianos (como dificuldade para engolir ou visão dupla)

  • Fraqueza em braços ou pernas

  • Alterações na fala ou equilíbrio

  • Cefaleia persistente

  • Crises convulsivas (mais comuns em outras localizações, mas também possíveis)

  • Sinais de sangramento recente em exames de imagem

 


 

Quando observar?

A conduta expectante — ou seja, apenas acompanhar com exames periódicos — é geralmente recomendada quando:

  • O cavernoma é pequeno e nunca apresentou sangramento

  • O paciente não apresenta sintomas neurológicos relevantes

  • A localização da lesão torna o risco cirúrgico desproporcional ao benefício imediato

  • Há apenas um episódio leve de sangramento e recuperação clínica completa

Nesses casos, exames como a ressonância magnética de controle são fundamentais para monitorar o comportamento da lesão ao longo do tempo.

 


 

Quando operar?

A cirurgia é considerada nos seguintes cenários:

  • Sangramentos repetidos com piora progressiva dos sintomas neurológicos

  • Lesões acessíveis com técnicas minimamente invasivas ou com abordagens seguras

  • Presença de déficits neurológicos persistentes que afetam a qualidade de vida

  • Pacientes jovens, com maior expectativa de vida e risco cumulativo de novos sangramentos

A decisão deve ser sempre individualizada, baseada em uma análise multidisciplinar entre neurocirurgião, neurologista e neurorradiologista. Além disso, a disponibilidade de tecnologias como neuronavegação, monitoramento neurofisiológico intraoperatório e microscopia avançada aumentam a segurança da abordagem cirúrgica.

 


 

A importância do acompanhamento especializado

Mesmo em casos onde a cirurgia não é indicada de imediato, o acompanhamento com um neurocirurgião experiente é essencial para avaliar o risco de sangramento futuro, orientar o paciente e decidir o melhor momento para intervir, caso seja necessário.

 


 

Conclusão

A presença de um cavernoma no tronco encefálico é uma condição que exige atenção cuidadosa, planejamento e personalização da conduta médica. A cirurgia pode ser salvadora e evitar complicações graves, mas também deve ser indicada com critério, considerando os riscos anatômicos dessa região tão sensível do sistema nervoso central.

A decisão entre operar ou observar não é simples — e nunca deve ser tomada com base apenas em exames de imagem. É preciso olhar o paciente como um todo: sua história clínica, evolução dos sintomas e impacto na vida diária.

 


 

Referências científicas:

  1. Gross, B. A., & Du, R. (2013). Surgical treatment of brainstem cavernous malformations. Neurosurgical Focus, 34(6), E9.

  2. Abla, A. A., Lekovic, G. P., Turner, J. D., de Oliveira, J. G., & Spetzler, R. F. (2011). Advances in the treatment and outcome of brainstem cavernous malformation surgery: a single-center case series of 300 surgically treated patients. Neurosurgery, 68(2), 403–414.

  3. Horne, M. A., Flemming, K. D., Su, I. C., et al. (2016). Clinical course of untreated cerebral cavernous malformations: a meta-analysis of individual patient data. The Lancet Neurology, 15(2), 166–173.

  4. Garcia, R. M., Ivan, M. E., Lawton, M. T. (2015). Brainstem cavernous malformations: surgical results in 104 patients and a proposed grading system to predict neurological outcomes. Journal of Neurosurgery, 123(5), 1043–1052.

 


 

Se você ou alguém da sua família recebeu esse diagnóstico, converse com um especialista. A informação correta e o acompanhamento contínuo fazem toda a diferença.

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Um dos grandes avanços da neurocirurgia moderna é a capacidade de identificar e tratar aneurismas cerebrais antes de sua ruptura — um evento que, infelizmente, ainda representa uma das principais causas de hemorragia subaracnoide, com alta mortalidade e morbidade.

O que é um aneurisma cerebral?

O aneurisma cerebral é uma dilatação localizada da parede de uma artéria cerebral, geralmente causada por fragilidade estrutural. Pode ser congênito ou adquirido, e muitos permanecem assintomáticos por anos, sendo descobertos em exames de imagem realizados por outros motivos.

Contudo, quando o aneurisma se rompe, o sangramento intracraniano é uma emergência médica de alto risco, podendo levar a sequelas neurológicas severas ou até à morte.

Toda descoberta exige cirurgia?

Nem sempre. A conduta frente a um aneurisma cerebral não é universal. Há uma série de fatores que influenciam a decisão de tratamento:

  • Tamanho e formato do aneurisma

  • Localização (ex: circulação anterior ou posterior)

  • Crescimento observado em exames seriados

  • Presença de sintomas (como cefaleia persistente, alterações visuais)

  • Histórico familiar de ruptura de aneurisma

  • Condições clínicas do paciente, como idade e comorbidades

Com base nesses critérios, o aneurisma pode ser apenas monitorado ou, quando indicado, tratado de forma preventiva.

Quais são os tipos de tratamento?

As opções terapêuticas são divididas em dois grupos principais:

1. Clipagem Cirúrgica

É uma abordagem tradicional, em que o neurocirurgião realiza uma craniotomia para acessar o aneurisma e colocá-lo fora da circulação sanguínea através de um pequeno clipe de titânio. Ainda é considerada padrão ouro em alguns casos, especialmente aneurismas acessíveis e com anatomia favorável.

2. Tratamento Endovascular

Mais recente e menos invasivo, é realizado por via endovascular (cateterismo), com inserção de microcoils ou stents no interior do aneurisma, promovendo a oclusão do fluxo sanguíneo.

Ambas as técnicas têm alto índice de eficácia e segurança, quando realizadas por equipes especializadas e em centros de referência.

Diagnóstico precoce muda tudo

Muitos pacientes descobrem aneurismas cerebrais por acaso, ao realizarem uma angioressonância ou angiotomografia por outro motivo. Nesse cenário, a avaliação com um neurocirurgião experiente é fundamental para definir o risco de ruptura e as melhores estratégias de conduta — seja o acompanhamento periódico ou o tratamento preventivo.

Conclusão

O aneurisma cerebral não tratado representa uma ameaça silenciosa. Por isso, a prevenção da ruptura é uma das maiores conquistas da neurocirurgia moderna, combinando tecnologia, avaliação individualizada e decisão clínica compartilhada.

Se você ou alguém próximo recebeu esse diagnóstico, não hesite em buscar uma avaliação especializada.

Referências:

  1. Etminan, N., & Rinkel, G. J. E. (2016). Unruptured intracranial aneurysms: development, rupture and preventive management. Nature Reviews Neurology, 12(12), 699–713. https://doi.org/10.1038/nrneurol.2016.150

  2. Greving, J. P., Wermer, M. J., Brown, R. D., et al. (2014). Development of the PHASES score for prediction of risk of rupture of intracranial aneurysms: a pooled analysis of six prospective cohort studies. The Lancet Neurology, 13(1), 59–66. https://doi.org/10.1016/S1474-4422(13)70263-1

  3. Molyneux, A. J., Kerr, R. S., Yu, L. M., et al. (2005). International Subarachnoid Aneurysm Trial (ISAT) of neurosurgical clipping versus endovascular coiling in 2143 patients with ruptured intracranial aneurysms: a randomised comparison of effects on survival, dependency, seizures, rebleeding, subgroups, and aneurysm occlusion. The Lancet, 366(9488), 809–817. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(05)67214-5
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Quarta, 13 Agosto 2025 09:40

Quando procurar um neurocirurgião?

A palavra “neurocirurgia” costuma causar certo receio. Para muitos, o termo remete imediatamente a procedimentos complexos e altamente invasivos. Mas o papel do neurocirurgião vai muito além da sala de cirurgia. Na prática, somos frequentemente os primeiros a avaliar e conduzir o diagnóstico de diversas condições que afetam o sistema nervoso central e periférico — muitas vezes antes mesmo de uma cirurgia ser cogitada.

Neste artigo, explico quando procurar um neurocirurgião, quais são os principais sinais de alerta e por que o acompanhamento especializado faz toda a diferença.

 


 

Nem toda dor exige cirurgia. Mas alguns sintomas pedem atenção.

A maioria das dores na coluna ou dores de cabeça pontuais não indicam uma urgência neurocirúrgica. No entanto, quando os sintomas se tornam mais persistentes, incapacitantes ou associados a alterações neurológicas, é fundamental investigar.

Veja abaixo os principais sinais de que você deve procurar um neurocirurgião:

1. Dor intensa e persistente na coluna

Quando a dor lombar ou cervical dura mais de 6 semanas, não melhora com repouso, fisioterapia ou medicamentos, ou se irradia para braços ou pernas, é necessário investigar a possibilidade de hérnia de disco, estenose do canal vertebral ou outras alterações estruturais.

2. Perda de força ou sensibilidade em membros

Fraqueza para levantar objetos, dificuldade para andar, dormência persistente ou perda de coordenação podem indicar compressão de raízes nervosas ou da medula espinhal — situações que requerem avaliação urgente.

3. Alterações neurológicas agudas ou progressivas

Desequilíbrio ao caminhar, confusão mental, crises convulsivas, alterações de fala ou visão podem ser sintomas de lesões cerebrais, hidrocefalia ou tumores, e precisam de investigação com exames de imagem e avaliação especializada.

4. Tumores cerebrais ou medulares identificados em exames

A presença de qualquer lesão estrutural no cérebro ou medula, mesmo que assintomática, deve ser avaliada por um neurocirurgião para definição de conduta: observação, biópsia, cirurgia ou tratamento complementar.

5. Diagnóstico de hidrocefalia, aneurisma cerebral ou malformações

Essas condições podem exigir monitoramento clínico, controle por exames ou intervenção cirúrgica precoce para evitar complicações graves.

 


 

O papel do neurocirurgião no cuidado neurológico

Nosso trabalho começa com uma avaliação detalhada do quadro clínico e neurológico, complementada por exames de imagem como ressonância magnética, tomografia ou angio-RM. A partir disso, elaboramos uma conduta personalizada, que pode incluir:

  • Tratamento clínico conservador

  • Bloqueios ou infiltrações

  • Procedimentos minimamente invasivos

  • Cirurgias convencionais quando indicadas

O foco é sempre preservar a função neurológica, aliviar os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente.

 


 

Conclusão

Dores que não passam, alterações neurológicas ou achados relevantes em exames de imagem não devem ser ignorados. Procurar um neurocirurgião não significa, necessariamente, que uma cirurgia será indicada — mas sim que você receberá uma avaliação especializada, com base científica e individualizada.

Se você ou alguém próximo apresenta sintomas como esses, agende sua consulta. Um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença.

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Dr. Rodolfo Casimiro – Neurocirurgião
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Referências científicas:

  1. Benzel EC. Spine Surgery: Techniques, Complication Avoidance, and Management. Elsevier, 2021.

  2. Wippold FJ II et al. Imaging of Spinal Infections, Tumors, and Postoperative Changes. Radiology. 2015.

  3. Mamelak AN et al. Minimally invasive approaches in neurosurgery. Neurosurg Clin N Am. 2020.

  4. Mori E et al. Predictors of response to shunt surgery in normal-pressure hydrocephalus. Neurology. 2000.

  5. Greenberg MS. Handbook of Neurosurgery. Thieme Medical Publishers, 2022.
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Quando pensamos em bem-estar, geralmente associamos o termo a uma rotina saudável, livre de dor, com disposição e autonomia. Mas o que pouca gente sabe é que muitos quadros de dor crônica, limitações físicas e fadiga persistente têm origem neurológica — e, nesses casos, a neurocirurgia pode fazer toda a diferença.

Mais do que cirurgias: restaurar qualidade de vida

A neurocirurgia moderna vai muito além das grandes cirurgias do passado. Com o avanço da tecnologia, temos hoje recursos para realizar procedimentos menos invasivos, mais precisos e com recuperação mais rápida, focando sempre em preservar ou recuperar a função neurológica do paciente.

Nosso papel não é apenas tratar uma lesão, mas devolver ao paciente sua capacidade de viver com autonomia, conforto e segurança. E isso é essencial para o verdadeiro bem-estar.

 


 

Quando a neurocirurgia entra em cena?

A atuação do neurocirurgião é indicada em diferentes contextos clínicos. Veja abaixo alguns dos quadros mais frequentes em que a intervenção especializada pode ser decisiva:

1. Dor persistente em coluna 

Quando a dor lombar ou cervical não melhora com tratamento clínico, interfere no sono, no trabalho ou nas atividades básicas, é hora de investigar. Em casos com compressão de raiz nervosa, o procedimento cirúrgico pode aliviar a dor de forma duradoura, especialmente com técnicas minimamente invasivas.

2. Perda de força nos membros

Fraqueza em braços ou pernas pode indicar comprometimento da medula espinhal ou de raízes nervosas. Essa condição exige avaliação urgente, pois o tratamento precoce pode evitar sequelas definitivas.

3. Tumores cerebrais em fase inicial

Descobertas precoces de tumores, mesmo benignos, podem gerar sintomas como cefaléia, tontura, alterações visuais ou cognitivas. Com técnicas de imagem avançadas e neuronavegação, conseguimos atuar com mais segurança e menos impacto ao cérebro saudável.

4. Dor facial intensa (Nevralgia do trigêmeo)

Pacientes com dor em choques no rosto, muitas vezes sem diagnóstico, sofrem por anos até encontrarem a causa. A neurocirurgia oferece opções eficazes — clínicas ou cirúrgicas — que podem transformar a qualidade de vida desses pacientes.

 


 

Tecnologia a favor do bem-estar

As técnicas minimamente invasivas, como a microdiscectomia, descompressão microvascular e neuronavegação assistida, possibilitam uma abordagem precisa, reduzindo tempo de internação, dor pós-operatória e risco de complicações.

Além disso, a combinação entre avaliação clínica detalhada, exames de imagem avançados e planejamento cirúrgico personalizado é o que garante os melhores resultados para cada paciente.

 


 

Conclusão

Dor constante, perda de movimento, cansaço que não passa... tudo isso pode ter causa neurológica.
Se você sente que sua rotina está sendo limitada por sintomas assim, buscar um diagnóstico especializado é o primeiro passo para retomar o controle da sua vida.

A neurocirurgia moderna está a serviço do seu bem-estar.
E o movimento de melhora começa com informação e cuidado.

Dr. Rodolfo Casimiro
Neurocirurgião | Mestre e Doutor pela USP |

CREMESP 141990

Consultas presenciais em São Paulo ou por telemedicina em todo o Brasil.
Agendamentos: (11) 95121-6699

 


 

Referências científicas

Weinstein JN et al. Surgical vs Nonoperative Treatment for Lumbar Disk Herniation. JAMA. 2006.

Barker FG et al. The long-term outcome of microvascular decompression for trigeminal neuralgia. J Neurosurg. 1996.

Benzel EC. Spine Surgery: Techniques, Complication Avoidance, and Management. Elsevier, 2021.

Wippold FJ et al. Imaging of Spinal Infections, Tumors, and Postoperative Changes. Radiology. 2015.

Cruccu G et al. AAN–EFNS guidelines on trigeminal neuralgia management. Eur J Neurol. 2008

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A Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) é uma condição neurológica silenciosa, progressiva e frequentemente confundida com o envelhecimento natural ou com doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson. A consequência disso é o diagnóstico tardio — o que compromete a chance de recuperação plena de muitos pacientes.

Neste artigo, explico o que é a HPN, quais são os principais sinais de alerta e como o tratamento adequado pode transformar a vida de pacientes que convivem com essa condição sem saber.

 


 

O que é Hidrocefalia de Pressão Normal?

A HPN é uma forma de hidrocefalia (acúmulo de líquido cefalorraquidiano no cérebro) que ocorre sem aumento significativo da pressão intracraniana. Isso significa que, embora os ventrículos cerebrais estejam dilatados, os sintomas se instalam de forma gradual e sutil, o que dificulta o diagnóstico.

É uma doença que afeta preferencialmente idosos, e seus sinais são, muitas vezes, atribuídos ao envelhecimento ou confundidos com quadros demenciais.

 


 

A tríade clássica da HPN

Pacientes com HPN costumam apresentar três sintomas principais:

1. Distúrbios da marcha

Dificuldade para andar, sensação de "andar em bloco", instabilidade e quedas frequentes. Em muitos casos, é o primeiro sinal a aparecer.

2. Comprometimento cognitivo

Esquecimentos, lentidão no raciocínio, dificuldade para se orientar. Pode simular ou coexistir com demências.

3. Incontinência urinária

Urgência urinária, perda involuntária de urina ou perda do controle dos esfíncteres.

Importante: Esses sintomas nem sempre aparecem juntos ou com a mesma intensidade. É comum que o paciente ou seus familiares não percebam a associação entre eles.

 


 

Por que a HPN é subdiagnosticada?

O motivo principal é a semelhança dos sintomas com o envelhecimento natural ou com outras doenças neurológicas. Muitos pacientes chegam ao consultório após passarem por diferentes especialidades, sem um diagnóstico preciso.

O exame de escolha para investigação é a ressonância magnética ou tomografia de crânio, que mostra a dilatação dos ventrículos cerebrais. Em casos suspeitos, um teste com drenagem de líquor (tap test) pode ser feito para observar se há melhora clínica após retirada de pequena quantidade de líquido.

 


 

Existe tratamento?

Sim. A HPN é uma das poucas causas tratáveis de demência e distúrbios da marcha em idosos.

O tratamento é cirúrgico e consiste na implantação de uma válvula de derivação ventrículo-peritoneal (DVP), que redireciona o excesso de líquor do cérebro para o abdome, onde ele é reabsorvido naturalmente.

Quando bem indicada, a válvula pode proporcionar melhora significativa dos sintomas, especialmente da marcha. A resposta varia de paciente para paciente, mas muitos voltam a ter independência nas atividades do dia a dia.

 


 

Conclusão

A Hidrocefalia de Pressão Normal é uma condição muitas vezes negligenciada, mas que tem tratamento eficaz quando diagnosticada precocemente.

Se você — ou alguém da sua família — apresenta dificuldades progressivas para andar, perda de memória e alterações urinárias, não ignore os sinais. Um acompanhamento neurológico ou neurocirúrgico especializado pode mudar o rumo da doença.


Dr. Rodolfo Casimiro – Neurocirurgião
Consultas presenciais em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil - (11) 95121-6699

 


 

Referências científicas:

  1. Relkin, N. R. et al. Diagnosis and management of idiopathic normal-pressure hydrocephalus: A practice guideline. Neurology. 2005.

  2. Williams, M. A. et al. Clinical and radiographic features of idiopathic normal pressure hydrocephalus. Neurologic Clinics. 2001.

  3. Mori, E. et al. Predictors of response to shunt surgery in normal-pressure hydrocephalus. Neurology. 2000.

  4. Toma, A. K. et al. Systematic review of the outcome of shunt surgery in idiopathic normal-pressure hydrocephalus. Acta Neurochirurgica. 2013.

  5. Jaraj, D. et al. Prevalence of idiopathic normal-pressure hydrocephalus. Neurology. 2014.

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Fisgadas, choques elétricos, dor súbita e intensa em um lado do rosto.
Essa é a descrição mais comum de pacientes com nevralgia do trigêmeo, uma das dores mais severas conhecidas na prática médica. Embora não seja amplamente divulgada, essa condição neurológica pode comprometer significativamente a qualidade de vida.

A boa notícia é que há tratamentos eficazes — tanto medicamentosos quanto cirúrgicos — e, com uma avaliação criteriosa, é possível devolver bem-estar a muitos pacientes.

 


 

O que é a nevralgia do trigêmeo?

A nevralgia do trigêmeo é uma dor neuropática que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. A dor geralmente atinge um dos lados do rosto, com crises súbitas e intensas, muitas vezes descritas como “choques elétricos” ou “facadas”, com duração de segundos a poucos minutos.

Um aspecto característico da doença é que a dor pode ser desencadeada por estímulos leves, como escovar os dentes, mastigar, falar ou até sentir uma corrente de ar no rosto.

 


 

O que causa essa dor?

Em grande parte dos casos, a causa está em uma compressão vascular do nervo trigêmeo, na sua origem no tronco cerebral. Essa compressão, geralmente provocada por uma alça arterial, causa irritação e perda da bainha protetora do nervo, levando à dor.

Outras causas menos frequentes incluem:

  • Esclerose múltipla

  • Tumores cerebrais

  • Malformações vasculares

  • Traumas cranianos

O diagnóstico é clínico, baseado na descrição da dor e nos gatilhos. A ressonância magnética com angio-RM é essencial para investigar possíveis compressões anatômicas ou lesões secundárias.

 


 

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento inicial geralmente é medicamentoso, com uso de anticonvulsivantes como a carbamazepina, que ajuda a controlar a excitabilidade anormal do nervo. Outras opções incluem oxcarbazepina, gabapentina e baclofeno.

Contudo, nem todos os pacientes respondem bem ou toleram os efeitos colaterais desses medicamentos. Nesses casos, o tratamento cirúrgico é considerado, com excelentes resultados, especialmente quando realizado por um neurocirurgião experiente.

Principais opções cirúrgicas:

1. Descompressão microvascular (DMC)

É a técnica mais definitiva. Consiste em afastar o vaso que comprime o nervo e interpor um material (geralmente teflon) para aliviar a pressão. A descompressão trata a causa do problema e apresenta altos índices de sucesso a longo prazo.

2. Procedimentos percutâneos

São técnicas minimamente invasivas feitas por agulhas introduzidas pela face:

  • Compressão com balão

  • Termocoagulação com radiofrequência

  • Glicerolização do gânglio trigeminal

Geralmente indicadas para pacientes com contraindicação à cirurgia aberta ou de maior idade.

3. Radiocirurgia (Gamma Knife)

Tratamento não invasivo com radiação altamente direcionada. Tem efeito mais lento, mas pode ser uma opção segura em alguns perfis de pacientes.

 


 

Atendimento especializado em São Paulo e por telemedicina

Se você apresenta episódios de dor facial intensa, em choques ou fisgadas, procure avaliação com um neurocirurgião.
O diagnóstico correto e a definição do melhor tratamento fazem toda a diferença para devolver conforto, segurança e qualidade de vida.

Dr. Rodolfo Casimiro
Neurocirurgião | Doutor pela USP | CRM/SP XXXXX
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Referências científicas:

  1. Cruccu G, et al. AAN–EFNS guidelines on trigeminal neuralgia management. European Journal of Neurology. 2008.

  2. Zakrzewska JM, Linskey ME. Trigeminal neuralgia. BMJ Clinical Evidence. 2014.

  3. Barker FG et al. The long-term outcome of microvascular decompression for trigeminal neuralgia. Journal of Neurosurgery. 1996.

Nurmikko TJ, Eldridge PR. Trigeminal neuralgia—pathophysiology, diagnosis and current treatment. British Journal of Anaesthesia. 2001.

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A visão de um neurocirurgião

A hérnia de disco é uma das causas mais frequentes de dor lombar e ciática, impactando a qualidade de vida de milhões de pessoas. Embora a maioria dos casos seja tratada com medidas clínicas, há situações em que a cirurgia se torna necessária para preservar a função neurológica e aliviar sintomas persistentes.

Como neurocirurgião, explico aqui os principais critérios médicos baseados em evidência para indicar o tratamento cirúrgico, especialmente em casos que não respondem ao manejo conservador.

O que é a hérnia de disco?

Os discos intervertebrais atuam como amortecedores entre as vértebras da coluna. Quando ocorre uma fissura no anel fibroso e o núcleo gelatinoso extravasa, pode haver compressão das raízes nervosas, caracterizando a hérnia de disco. Isso pode provocar dor irradiada, formigamento, perda de força e, em casos mais graves, alterações neurológicas.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia é reservada para situações específicas. Estudos mostram que cerca de 80% a 90% dos pacientes melhoram com tratamento conservador, que inclui fisioterapia, analgésicos, anti-inflamatórios e reabilitação. No entanto, a abordagem cirúrgica deve ser considerada quando ocorrem os seguintes fatores:

1. Dor persistente e incapacitante

Quando o paciente apresenta dor intensa por mais de seis a oito semanas, mesmo após tratamento clínico adequado, a cirurgia pode ser indicada. A intervenção pode promover alívio mais rápido da dor e retorno à funcionalidade.

2. Déficits neurológicos

A perda de força muscular, dificuldade para sustentar objetos ou subir escadas, além de alterações de sensibilidade, indicam compressão nervosa significativa. Esses sintomas devem ser avaliados com urgência, pois podem evoluir se não tratados adequadamente.

3. Síndrome da cauda equina

Trata-se de uma emergência neurocirúrgica. Caracteriza-se por incontinência urinária ou fecal, anestesia em sela e fraqueza significativa nos membros inferiores. Nesses casos, a descompressão cirúrgica deve ser realizada o mais breve possível para evitar sequelas permanentes.

Como é a cirurgia?

As técnicas atuais são cada vez mais precisas e menos invasivas. Procedimentos como microdiscectomia ou discectomia endoscópica permitem menores incisões, recuperação mais rápida e menos dor pós-operatória. A escolha da técnica dependerá do tipo e da localização da hérnia, bem como do quadro clínico do paciente.

Atendimento especializado em São Paulo e por telemedicina

Se você apresenta dor persistente, perda de força ou sintomas neurológicos relacionados à coluna, agende uma avaliação. Um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado fazem toda a diferença.

 

Referências científicas:

  • Weinstein JN, et al. Surgical vs Nonoperative Treatment for Lumbar Disk Herniation: The SPORT Observational Cohort. JAMA. 2006.

  • Peul WC, et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. NEJM. 2007.

  • Bono CM, Schoenfeld AJ. Indications for Surgery in Lumbar Disc Herniation. Spine. 2010.

  • Ahn UM, et al. Cauda equina syndrome secondary to lumbar disc herniation. Spine. 2000.
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Quando se fala em demência, a primeira coisa que vem à cabeça de todo mundo é a Doença de Alzheimer. E, de fato, essa é a síndrome demencial mais frequente. Mas é importante saber que existem outras causas de demência e que algumas podem ser revertidas!

 

A hidrocefalia de pressão normal é uma delas! Trata-se de uma doença progressiva, que se manifesta por alterações na marcha, declínio da inteligência e incontinência urinária. O paciente passa a ter dificuldade para andar, com passos curtos e desequilíbrio, o que pode levar a quedas. A memória não é mais a mesma, podendo também apresentar alterações na fala ou de orientação. Também pode perder urina sem perceber, inicialmente à noite, evoluindo para episódios também diurnos e mesmo incontinência fecal em estágios mais avançados.

 

O paciente geralmente é idoso e necessita de uma avaliação médica para o correto diagnóstico. Serão pedidos exames de imagem e uma avaliação que inclui a retirada de líquor da região lombar na maioria dos casos. Confirmado o diagnóstico, é proposta uma cirurgia para a drenagem do excesso de líquido no cérebro para a barriga, por meio de cateteres e uma válvula. 

 

Os sintomas melhoram após a cirurgia. O grau de resposta vai depender do tempo do início dos sintomas até o tratamento cirúrgico, o que reforça a importância de uma adequada avaliação médica precoce.  

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Quinta, 15 Abril 2021 14:52

Radiocirurgia - a cirurgia sem cortes

E se eu te falasse que é possível tratar tumores e malformações vasculares no cérebro sem cortes ou cirurgia? Isso já é possível para alguns casos selecionados. O tratamento em questão se chama radiocirurgia e já é uma realidade no Brasil. O seu representante mais preciso, o gamma knife, é capaz de disparar feixes estritos de radiação em alvos patológicos extremamente pequenos, poupando o tecido cerebral normal. Funciona assim: o paciente chega no hospital, é tratado na máquina gamma knife por cerca de 2 horas e recebe alta em seguida. Sem cortes ou anestesia geral.

Cabe ao neurocirurgião decidir se essa opção terapêutica é válida para o tipo de tumor do paciente, e isso inclui avaliar o seu tamanho, localização e tipo. A depender dessas características, pacientes com alguns tipos de lesões vasculares, malformações arteriovenosas, tumores da hipófise, neurinomas do acústico, metástates e meningeomas podem se beneficar do tratamento. 

 

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Recentemente o Brasil se emocionou com a morte precoce de Tom Veiga, intérprete do personagem Louro José e companheiro de cena de Ana Maria Braga na televisão. Vítima de um aneurisma cerebral, a morte do ator aos 47 anos jogou luz sobre a enfermidade, fazendo com que fosse mais falada e conhecida.

Mas, você sabe o que é o aneurisma cerebral?

O aneurisma ocorre quando há uma dilatação anormal e localizada em alguma das artérias do cérebro¹. Isso pode acontecer por diversos fatores tais como hipertensão arterial, tabagismo, traumas, uso de drogas e defeitos congênitos¹.

O grande perigo é que essa dilatação pode romper e causar uma hemorragia cerebral grave, com potencial de matar ou sequelar dois terços de suas vítimas.

E um dos grandes perigos do aneurisma é que ele é geralmente assintomático até romper. A pessoa pode passar a vida toda com a dilatação na artéria sem sentir nada até ocorrer sua ruptura. E apesar de estarmos abordando o aneurisma cerebral, o problema pode ocorrer em outras partes do corpo, como coração, rim, abdômen.

Na maioria das pessoas, o sinal de ruptura é uma dor de cabeça muito intensa e abrupta, podendo haver a perda da consciência e morte, caso o socorro demore a acontecer. Muitos pacientes apresentam esses sintomas após esforço físico, como prática esportiva e até orgasmo!

O aneurisma é mais comum em mulheres e o risco de ruptura aumenta com a idade. O histórico familiar também conta. Pessoas com essas características e hipertensas devem fazer acompanhamento médico para prevenir ou detectar precocemente o problema.

O médico pode solicitar exames como tomografia e ressonância com estudo das artérias cerebrais, que são exames simples, indolores e nada invasivos. Se o diagnóstico se confirmar, o neurocirurgião vai avaliar qual deve ser a conduta a ser seguida: acompanhamento, cirurgia ou embolização via cateter.

 

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CONSULTÓRIO

Clínica de Neurocirurgia Dr Fernando Gomes
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